Maputo, 04 Abr (AIM) – A participação da mulher na prevenção e resposta a desastres naturais em Moçambique assume um papel cada vez mais central, evidenciando a necessidade de reforçar a sua protecção e inclusão nas acções de ajuda humanitária.
Falando este sábado (04), no programa “Linha Directa”, da Rádio Moçambique, a directora de Planificação e Cooperação no Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Rita Almeida, afirmou que a instituição tem vindo a apostar na participação activa das comunidades, com destaque para as mulheres, na gestão de riscos.
Segundo Almeida, a actual época chuvosa tem sido marcada por fenómenos climáticos extremos, incluindo chuvas intensas, cheias e ventos fortes, que já afectaram cerca de um milhão de pessoas em diferentes regiões do País.
“Temos registado destruição de habitações, infra-estruturas e condicionamento de vias de acesso. Quando estas situações ocorrem, activamos os sistemas de alerta e aconselhamos as populações que vivem em zonas de risco a deslocarem-se para locais seguros”, explicou.
A responsável acrescentou que o Governo cria centros de acomodação para prestar assistência às famílias afectadas, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis. “Monitoramos permanentemente a situação, com especial atenção às crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais”, disse.
Almeida sublinhou ainda que a gestão de calamidades envolve um trabalho coordenado entre várias instituições e voluntários. “Este trabalho não é apenas do INGD. Trata-se de uma equipa multissectorial que integra diferentes sectores do Estado e voluntários, desde o nível central até às comunidades”, afirmou.
Por seu turno, a directora nacional do Género, Seana Daut, destacou a necessidade de reforçar políticas públicas para responder às necessidades específicas das mulheres durante crises humanitárias.
Segundo Daut, as mudanças climáticas e as emergências expõem particularmente mulheres e raparigas a riscos acrescidos, incluindo problemas de saúde e violência baseada no género. “É preciso olhar para as políticas e programas numa perspectiva de género, garantindo acesso a serviços essenciais, como saúde materna e assistência social”, afirmou.
Já a representante da Cruz Vermelha de Moçambique, Hermínia Silva, destacou o papel das mulheres voluntárias nas comunidades. “As mulheres vivem nas comunidades e muitas estão na linha da frente, apoiando no levantamento de necessidades, na distribuição de ajuda e na mediação de conflitos”, explicou.
Contudo, alertou para os riscos de segurança enfrentados pelas mulheres em contextos de crise. “As mulheres enfrentam riscos acrescidos de violência e insegurança, especialmente nos centros de acomodação”, disse.
As participantes defenderam maior investimento na capacitação feminina. “Quando as mulheres estão organizadas e capacitadas, tornam-se agentes fundamentais na prevenção e resposta aos desastres”, concluíram.
(AIM)
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