Maputo, 28 Ago (AIM) – O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) anunciou, esta quinta-feira (28) o início dos preparativos para a próxima época chuvosa, que incluem a elaboração de um novo Plano Nacional de Contingência, documento que terá atenção especial às regiões insulares e ao número crescente de deslocados internos no país.
A garantia foi dada hoje, pela presidente do INGD, Luísa Meque, na abertura do IV Conselho Consultivo do INGD que decorre na província de Maputo, juntando Governo, parceiros e sectores chaves.
“Estarmos prestes a iniciar os preparativos da próxima época chuvosa. Iniciaremos oportunamente o processo de elaboração do novo Plano Nacional de Contingência que esperamos que seja mais abrangente na gestão multissectorial de situações de emergências em Moçambique”, afirmou Meque.
Segundo a dirigente, o plano deverá integrar acções específicas voltadas para as ilhas e arquipélagos do litoral, regiões particularmente vulneráveis a eventos extremos.
“Para o efeito, contaremos com os nossos parceiros, nacionais e internacionais de cooperação, neste processo que pretendemos que englobe acções para a contenção de desafios específicos das regiões insulares existentes no nosso país”, referiu.
Luísa Meque destacou a urgência de reforçar a resposta humanitária, num contexto de aumento do número de deslocados internos e de limitação de recursos.
“Especial atenção devemos dar à gestão dos deslocados internos numa altura em que registamos um número crescente de concidadãos deslocados e deparamo-nos com a escassez de recursos para a assistência humanitária por conta da conjuntura internacional”, disse.
Apesar das dificuldades, a presidente do INGD sublinhou a necessidade de garantir dignidade na resposta. “Somos todos desafiados a garantir uma resposta humanitária digna, célere e transparente, em todos os sectores relevantes, pois cada agregado familiar, cada idoso e criança, merece a nossa atenção e apoio”, acrescentou.
O novo plano insere-se num esforço mais amplo de mudança de paradigma na gestão de desastres em Moçambique. “O ponto de partida para responder aos novos desafios que recaem para a nossa instituição será a elaboração e operacionalização de uma Estratégia para a Gestão e Redução do Risco de Desastres”, explicou Meque, defendendo uma abordagem proactiva e preventiva.
“Fomos desafiados a deixar de ser uma instituição reactiva e adoptar uma abordagem proactiva privilegiando a prevenção e a resiliência, investindo em infraestruturas de protecção, sistemas de aviso prévio que funcionem num contexto de riscos múltiplos e de redução dos recursos globais para assistência humanitária”, afirmou.
Meque destacou ainda os mecanismos inovadores de financiamento já utilizados no país, como as Acções Antecipadas e o Seguro Paramétrico, que durante a última época chuvosa e ciclónica contribuíram com cerca de 70% dos recursos de assistência humanitária mobilizados pelo Governo e parceiros.
“A experiência da acção humanitária da época chuvosa e ciclónica 2024/2025 é um exemplo concreto da aposta do Governo em abordagens proactivas de financiamento e gestão do risco de desastres”, frisou.
O desafio agora, segundo a presidente do INGD, é expandir estas acções para novas áreas e garantir sustentabilidade financeira.
“Após as últimas activações de Acções Antecipadas para secas e ciclones, o Governo tem o desafio de desenvolver e operacionalizar as Acções Antecipadas para as cheias”, disse, apelando aos parceiros humanitários para que considerem nos seus planos anuais os desafios da próxima época 2025/2026.
Meque reafirmou a determinação do INGD em liderar com integridade e eficácia. “Recai sobre nós a responsabilidade de sermos a vanguarda do Estado, prontos a actuar, com eficácia, planificar com visão e gerir com integridade os recursos a nós alocados. Temos que imprimir nos nossos sectores uma maior dinâmica e alcançar resultados concretos, tendo em mente que não podemos falhar e nem há tempo para hesitações”, declarou.
O IV Conselho Consultivo do INGD decorre sob o lema “Agir agora, rumo a um futuro resiliente”, alinhado às recomendações do Presidente da República, Daniel Chapo, que exortou a instituição a reforçar a prevenção e a preparação.
(AIM)
Paulino Checo
