Maputo, 14 Abr (AIM) – A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) defendeu, na manhã desta terça-feira (14), em Maputo, a criação de uma quota específica para o financiamento da educação, durante a submissão das suas propostas à Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo (COTE).
A proposta foi apresentada pelo vice-presidente e porta-voz da organização, Marcos Mulima, que reiterou a importância da educação como pilar fundamental para qualquer processo de transformação no país.
Segundo Mulima, além do aumento do orçamento do Estado para o sector, a ANAPRO propõe a criação de uma quota obrigatória destinada à educação, a ser assegurada, entre outros mecanismos, por contribuições de empresas multinacionais que exploram recursos naturais no país.
“Acreditamos que os recursos do país devem traduzir-se em benefícios concretos para a educação, garantindo melhores condições para o ensino e aprendizagem”, afirmou.
A ANAPRO reiterou a valorização da classe docente, com destaque para a melhoria das condições salariais e de trabalho, considerando que a dignidade do professor é determinante para a qualidade do sistema educativo.
A organização manifestou também preocupação com a exclusão dos professores nos processos de revisão curricular, defendendo um modelo mais participativo e ajustado às exigências actuais de desenvolvimento do país.
Igualmente, propôs a eleição de gestores escolares, com vista a reforçar a transparência e reduzir a partidarização no sector.
Na componente política, a associação propôs um conjunto de reformas visando o fortalecimento da democracia, incluindo a criação de um parlamento misto com representação directa da sociedade civil.
Outras medidas incluem a limitação da idade para o exercício de altos cargos do Estado, a restrição de mandatos nos órgãos de representação, o combate ao nepotismo e a redução das disparidades salariais entre dirigentes e funcionários públicos.
Na mesma ocasião, submeteram igualmente as suas propostas outras organizações da sociedade civil, nomeadamente a Associação de Restauração Moçambicana, a Associação Moçambicana de Eventos e a Aliança Jovem para Escrita e Consciência.
As submissões enquadram-se no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, iniciativa que visa recolher contribuições de diferentes segmentos da sociedade para a consolidação da democracia e promoção do desenvolvimento sustentável no país.
(AIM)
SNN/sg
