Displaced women meet on December 11, 2020 at the Centro Agr‡rio de Napala where hundreds of displaced arrived in recent months are sheltered, fleeing attacks by armed insurgents in different areas of the province of Cabo Delgado, in northern Mozambique. (Photo by Alfredo Zuniga / AFP)
Maputo, 25 Abr (AIM) – A diminuição do financiamento internacional para a assistência humanitária está a obrigar autoridades e organizações a priorizar estratégias de autossuficiência das famílias deslocadas pelo terrorismo, sobretudo no norte de Moçambique.
Falando este sábado (25), num debate radiofónico da Rádio Moçambique (RM), a delegada do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) em Niassa, Isabel Cavo, afirmou que o fim do apoio alimentar directo, anteriormente assegurado pelo Programa Mundial de Alimentação (PMA), obrigou à adaptação das comunidades.
“As famílias foram sensibilizadas para se prepararem, porque muitas já tinham beneficiado de cursos e kits para garantir o seu sustento”, disse.
Segundo a responsável, a maioria dos deslocados encontra-se actualmente integrada nas comunidades locais. “Grande parte destas famílias já está inserida nas comunidades e leva uma vida normal, com actividades agrícolas e pequenos negócios”, explicou.
Na província de Nampula, a delegada Anacleta Botão indicou que o número de deslocados provenientes de Cabo Delgado reduziu de mais de 61 mil para cerca de 28 mil pessoas.
“Estamos a trabalhar no contexto de soluções duradouras para garantir que as famílias tenham capacidade de desenvolver as suas vidas por si próprias”, afirmou.
Botão referiu ainda a criação de condições estruturais em centros de reassentamento. “Foram implantados serviços básicos como escolas, água, energia e saúde para permitir a integração das famílias”, disse.
Por outro lado, reiterou que o regresso às zonas de origem é voluntário. “O Governo não força o regresso. As famílias regressam quando se sentem seguras”, afirmou.
Por seu turno, o representante do Conselho Cristão de Moçambique (CCM), Emerson Ubisse, destacou que a assistência actual privilegia intervenções estruturantes.
“O objectivo não é apenas distribuir bens, mas impactar vidas e criar condições para que as comunidades deixem de depender de ajuda”, explicou.
Já o secretário da Cruz Vermelha de Moçambique, Abílio Campos, enfatizou a componente de protecção social.
“Estamos a trabalhar na reunificação de crianças e no apoio psicossocial, porque sem estabilidade emocional não há vida normal”, afirmou.
Ao nível local, o representante do CCM em Niassa, Constâncio Sandi, sublinhou a continuidade do apoio, apesar das limitações.
“Mesmo com a retirada dos parceiros, continuamos a apoiar psicologicamente as comunidades, levando mensagens de esperança”, disse.
Apesar dos constrangimentos, os intervenientes defenderam o reforço da coordenação e a aposta em meios de subsistência e na resiliência comunitária, como forma de garantir dignidade às famílias afectadas.
(AIM)
NL/pc
