Esposa do Primeiro Presidente da República de Moçambique, Graça Machel,. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 30 Abr (AIM) – A activista social moçambicana Graça Machel defende a necessidade de uma ruptura profunda com hábitos e normas sociais patriarcais que, segundo afirmou, continuam a estruturar as sociedades em torno da supremacia masculina e a limitar a plena realização da igualdade de género.
Falando durante uma mesa-redonda subordinada ao tema “Liderança Feminina e Desenvolvimento Sustentável: Como pode a liderança feminina transformar a governação local para promover a coesão social e o desenvolvimento sustentável em Moçambique e em África?”, Graça Machel apelou a uma transformação consciente da forma como as sociedades pensam, educam e organizam as relações entre homens e mulheres.
“Temos que romper essa maneira de pensar, essa maneira de organizar a sociedade e afirmar com actos práticos e estabelecer a igualdade entre homens e mulheres”, afirmou.
Segundo Graça Machel, a construção da igualdade de género começa no seio da família, na forma como rapazes e raparigas são tratados desde cedo, e exige o reconhecimento de que a dignidade humana não pode ser determinada pelo sexo.
Para a activista, a igualdade entre homens e mulheres não constitui um gesto de benevolência, mas uma exigência ética, política e social, indispensável para o desenvolvimento sustentável, a coesão social e a consolidação da paz.
“As nossas sociedades estão estruturadas a partir de uma lógica que subestima, invisibiliza e condiciona o contributo das mulheres”, sublinhou.
Graça Machel defendeu que a continuidade da humanidade demonstra a complementaridade essencial entre homem e mulher, rejeitando qualquer lógica de superioridade de um sobre o outro.
“É por isso que nós nascemos exactamente da mesma maneira e morremos da mesma maneira; não há um nascimento diferente para um homem, um nascimento diferente para uma mulher (…) nós nascemos e morremos da mesma maneira”, vincou.
O evento contou com a presença do antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, e de várias personalidades moçambicanas e africanas, entre as quais Bineta Diop, antiga enviada da African Union para Assuntos de Mulheres, Paz e Segurança.
(AIM)
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