Maputo, 11 Jun (AIM) – Moçambique pretende afirmar-se como uma das principais referências africanas da economia azul, aproveitando a sua posição estratégica no Oceano Índico, os mais de 2.700 quilómetros de costa e a abundância de recursos marinhos.
Para o país, estes elementos podem muito bem impulsionar a transformação económica, a criação de emprego e a integração regional.
A ambição foi defendida hoje (11) pelo Presidente da República, Daniel Chapo, na cerimónia de abertura da 3ª Conferência Internacional Crescendo Azul, que decorre em Maputo, entre hoje e sexta-feira, sob o lema “Futuro Azul: Acelerando a Sustentabilidade Económica”.
“O desafio actual consiste em determinar com que rapidez seremos capazes de converter o potencial dos oceanos em benefícios concretos para os nossos povos”, afirmou Chapo, perante representantes de governos, organizações internacionais, académicos, empresários e parceiros de cooperação.
Segundo o estadista moçambicano, os oceanos assumem uma importância crescente num contexto marcado por profundas transformações geopolíticas, pela reconfiguração das cadeias globais de abastecimento e pela procura de segurança alimentar e energética.
Chapo recordou que Moçambique ocupa uma posição privilegiada no Canal de Moçambique, uma das mais importantes rotas marítimas do comércio internacional, o que lhe confere responsabilidades acrescidas, mas também oportunidades únicas para reforçar o seu papel na economia global.
“Por estas águas circulam mercadorias, energia, investimentos e oportunidades que influenciam a economia internacional”, sublinhou.
O Presidente destacou igualmente que a extraordinária biodiversidade marinha do país constitui um activo estratégico nacional, regional e internacional, capaz de sustentar o turismo azul, fortalecer os serviços ecossistêmicos e contribuir para a segurança alimentar.
Neste contexto, anunciou o reforço das medidas de gestão sustentável dos recursos marítimos, incluindo a implementação do Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo, instrumento que deverá orientar a utilização racional do mar e criar maior previsibilidade para os investidores.
“Queremos uma economia azul que crie emprego para a nossa juventude, promova a industrialização, desenvolva cadeias de valor nacionais, fortaleça as comunidades costeiras e contribua para a redução das desigualdades”, afirmou.
Para Chapo, a economia azul não deve ser encarada apenas como um conjunto de investimentos ou infra-estruturas, mas sobretudo como uma oportunidade de melhorar a vida das comunidades que dependem directamente do mar.
“Quando falamos da economia azul, falamos do pescador que, antes do nascer do sol, sustenta a sua família a partir do mar. Falamos dos jovens que procuram uma oportunidade de emprego e empreendedorismo”, declarou.
Chapo apelou à mobilização de mais recursos para projectos ligados à economia azul e defendeu uma cooperação internacional assente no investimento e em benefícios mútuos.
“A África não procura caridade, procura parceria”, afirmou.
O Presidente considerou que o continente dispõe de recursos naturais, capital humano e potencial suficientes para transformar os oceanos em motores de crescimento económico, integração regional e prosperidade partilhada.
“O tempo das declarações já passou. Este é o tempo da acção e dos resultados”, vincou.
O Presidente destacou ainda a inauguração esta quinta-feira (11), na KaTembe, da sede do Centro de Coordenação da Monitoria, Controlo e Vigilância das Pescas da SADC (MCSCC), considerando a infra-estrutura um instrumento importante para reforçar a cooperação regional no combate à pesca ilegal e na gestão sustentável dos recursos marinhos.
(AIM)
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