MANHIÇA, 17 SET (AIM) — O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou esta quarta-feira aos moçambicanos para reforçarem a cultura de paz, unidade e amor ao próximo, defendendo que estes valores são fundamentais para garantir a segurança e acelerar o desenvolvimento do país.
O Chefe de Estado falava durante uma visita de trabalho ao distrito da Manhiça, província de Maputo, onde alertou para os riscos da violência e do discurso de ódio, particularmente num contexto marcado pelas tensões decorrentes do processo eleitoral.
“Não há nenhum país no mundo que se desenvolva sem paz e segurança. Para que haja paz tem que haver unidade e para que haja unidade tem que haver amor entre irmãos moçambicanos. Não pode haver ódio nem violência”, afirmou Chapo.
O Presidente condenou igualmente os actos de vandalização de bens públicos, recordando que, na sequência do processo eleitoral, escolas e hospitais foram alvo de destruição.
Chapo apelou à população para não aderir a discursos que incentivem a destruição de infra-estruturas públicas, sublinhando que esses bens pertencem a todos os moçambicanos, independentemente das suas opções políticas.
“Quando o Governo constrói uma escola é para o povo. A escola não anda, não fala, não tem cartão de eleitor e não foi votada. Onde é que entra a escola nas eleições?”, questionou.
Na sua intervenção, o Presidente defendeu o diálogo como principal instrumento para a resolução de conflitos, apontando como exemplo o processo em curso no Conselho Técnico para o Diálogo Nacional Inclusivo (COTE).
Para Chapo, a construção de uma sociedade pacífica exige uma mudança de comportamento individual e colectivo, tendo recorrido à chamada “lei da semeadura” para explicar a relação entre as acções praticadas e as suas consequências.
“Cada um colhe o que planta. Ninguém semeia milho e colhe laranja. Se semearmos ódio vamos colher ódio, se semearmos violência vamos colher violência. Se queremos paz, temos que semear paz para colher paz”, declarou.
O Presidente considerou, assim, que a consolidação da paz deve ser encarada como uma responsabilidade de todos, defendendo maior unidade entre os cidadãos como condição para a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento económico e social.
Ainda durante a visita à Manhiça, Daniel Chapo anunciou que o Governo pretende aumentar o valor destinado ao Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), com o objectivo de ampliar o número de beneficiários.
A medida deverá beneficiar particularmente jovens e mulheres empreendedores, embora o Presidente não tenha avançado os valores nem os prazos previstos para o reforço do fundo.
O anúncio surge num contexto em que a criação de oportunidades de emprego e de geração de rendimento continua a constituir uma das principais preocupações das comunidades, sobretudo entre os jovens.
A visita presidencial foi igualmente marcada por um apelo da comunidade local para a reabertura da Açucareira da Maragra, encerrada desde 2023 na sequência das cheias que afectaram a sua matéria-prima.
A Secretária do bairro Círculo-Manhiça, Lili Gueruta, pediu ao Chefe de Estado que intervenha para encontrar uma solução que permita o reinício das actividades da empresa, apontando os impactos do encerramento sobre o emprego e o rendimento das famílias.
“Pedimos a Sua Excelência para nos ajudar a reabrir a Maragra. Desde que fechou em 2023, depois das cheias, os nossos jovens ficaram sem emprego e muitas famílias ficaram sem sustento. A Maragra é a vida da Manhiça”, apelou.
O pedido reflecte a dimensão económica e social atribuída pela população à unidade açucareira, cuja retoma é vista como uma oportunidade para recuperar postos de trabalho e dinamizar a economia local.
(AIM)
Redacção
