Redacao da aim nos anos 80.
Maputo, 04 Nov (AIM) – A Agência de Informação de Moçambique (AIM) foi uma das instituições moçambicanas mais temidas pelo regime do Apartheid, na África do Sul, devido ao trabalho de divulgação da verdade sobre os acontecimentos naquele país e as suas implicações para Moçambique.
A revelação foi feita pelo Fernando Gonçalves, antigo jornalista da instituição, que trabalhou na agência durante as décadas de 1980 e 1990.
“Uma das instituições mais temidas pelo regime do Apartheid em Moçambique era precisamente a AIM. Porque a AIM dizia a verdade, dizia exactamente aquilo que estava a acontecer na África do Sul, aquilo que tinha implicações no nosso país”, declarou Gonçalves, que iniciou a sua carreira na agência a 6 de Outubro de 1980.
O antigo jornalista da AIM falava em entrevista a RM no quadro do lançamento das celebrações dos 51 anos da AIM, iniciativa que culminará com a realização de um simpósio, no dia 22 de Novembro, em Maputo, data que assinala a criação da instituição, em 1975.
Segundo Gonçalves, durante o período da guerra em Moçambique, a agência desempenhou um papel importante na projecção internacional da imagem do país, assegurando a circulação de notícias sobre a situação política, militar e social, num contexto em que a informação sobre os acontecimentos nacionais era particularmente relevante para a comunidade internacional.
“O que o mundo sabia sobre o que acontecia em Moçambique era produto, em grande parte, do trabalho da AIM”, afirmou, acrescentando que a compreensão internacional sobre a guerra no país também resultou da actividade jornalística desenvolvida pela instituição.
Segundo a fonte, na altura, a agência produzia e distribuía informação em três línguas, nomeadamente português, inglês e francês, recorrendo a uma rede de parcerias com organizações noticiosas internacionais e regionais.
Entre os parceiros mencionados por Gonçalves constam a Associated Press (AP), a Agence France-Presse (AFP), a agência portuguesa ANOP, posteriormente transformada em Lusa, e várias agências africanas, incluindo a Shihata, da Tanzânia, a Ziana, do Zimbabwe, a Zana, da Zâmbia, e a Mana, do Malawi.
A AIM foi igualmente uma das agências constitutivas da Agência Pan-Africana de Notícias (PANA), sediada em Dakar, Senegal, tendo Gonçalves participado no processo de implantação daquela estrutura continental.
O antigo jornalista recordou ainda os desafios tecnológicos enfrentados na produção noticiosa, numa época em que a transmissão de informação dependia de sistemas de telex e o envio de fotografias podia demorar entre 45 minutos e uma hora. Apesar dessas limitações, a agência mantinha serviços de fotografia e correspondência destinados a divulgar os acontecimentos de Moçambique além-fronteiras.
Por sua vez, o chefe de Redacção da AIM, Paulino Checo, explicou que as celebrações dos 51 anos decorrem sob o lema “AIM, de Portas Abertas, 51 anos”, com o objectivo de promover a reflexão sobre o percurso histórico da instituição, a sua contribuição para a construção da opinião pública e os desafios que se colocam ao futuro do jornalismo.
Checo anunciou que o programa culminará com um simpósio, a 22 de Novembro, que deverá reunir antigos jornalistas da agência, dirigentes dos órgãos de comunicação social e académicos para debater o papel da AIM na construção social da realidade e perspectivar os caminhos.
O programa poderá incluir igualmente a iniciativa “Dias de Portas Abertas”, com visitas guiadas à redacção central, destinadas a estudantes e ao público interessado em conhecer os processos de recolha, tratamento e distribuição de notícias. Está também em perspectiva uma exposição de fotojornalismo, com uma retrospectiva do acervo produzido ao longo dos 51 anos.
Segundo Checo, as celebrações coincidem com uma nova fase da agência, marcada por um processo de reestruturação dos procedimentos produtivos, modernização e digitalização, visando responder às exigências do sector.
No âmbito dessa estratégia, revelou que a AIM estabeleceu, em 2026, três acordos de cooperação com agências e grupos internacionais, nomeadamente a Xinhua, da China, a AzerTAC, do Azerbaijão, e o China Media Group.
Os entendimentos prevêem a troca de conteúdos noticiosos e apoios institucionais à modernização e digitalização da agência, permitindo também ampliar a circulação de informação sobre Moçambique no estrangeiro.
Checo acrescentou que está em fase avançada a renovação do acordo de cooperação com a Lusa, tendo sido recentemente nomeado um novo delegado da AIM em Lisboa, com a finalidade de reforçar a distribuição de notícias sobre Moçambique no espaço europeu.
A estratégia, segundo o chefe de Redacção, visa tornar a AIM um órgão cada vez mais relevante no sector da comunicação social, reforçando a sua capacidade de produção e distribuição de informação e a exposição internacional do país.
A Agência de Informação de Moçambique foi criada em 1975, após a Independência Nacional, para assegurar a produção e disseminação de informação própria, documentar os principais acontecimentos do país e projectar a imagem de Moçambique no estrangeiro.
(AIM)
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