Ministério da Saúde
Maputo, 30 set (AIM) – Três investigadores do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), província de Maputo, sul de Moçambique, integram a “The NUS–Lancet PRIME Commission on Pandemic Readiness”, uma Comissão internacional criada para repensar a preparação face a futuras pandemias e contribuir para políticas e estratégias capazes de proteger as comunidades, de forma mais eficaz e equitativa, com particular atenção aos grupos mais vulneráveis.
Integram a Comissão Alberto L. García-Basteiro, Vasco Sambo e Olga Cambaco, investigadores do CISM afectos às áreas de Tuberculose, Doenças Bacterianas e Estudos de População, respectivamente.
O trabalho da Comissão resultou na publicação do artigo científico na Lancet, bem como do relatório “The NUS–Lancet PRIME Commission: transforming pandemic readiness for equity”, que propõe uma nova abordagem à preparação para pandemias, colocando no centro a capacidade dos sistemas e das sociedades de proteger as populações de forma equitativa.
O facto foi revelado pelo CISMO, em comunicado de imprensa, recebido na redacção da AIM, citando um relatório lançado este mês, em Nova Iorque, durante a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas.
O evento reuniu representantes de governos, organizações internacionais, instituições académicas e sociedade civil para discutir formas de transformar os compromissos assumidos em matéria de preparação para pandemias em mecanismos concretos de protecção das populações, com particular atenção à equidade.
“A PRIME Commission” é uma iniciativa da “National University of Singapore (NUS) e da revista científica The Lancet”.
Co-presidida pela antiga Primeira-Ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, e pela Professora Helena Legido-Quigley, reúne especialistas em diferentes disciplinas e regiões do mundo, incluindo saúde pública, epidemiologia, sistemas de saúde, ciências sociais, economia e governação.
O trabalho desenvolvido pela Comissão envolveu evidências provenientes de 20 países e combinou diferentes abordagens, incluindo entrevistas com tomadores de decisão de alto nível de todos sectores dos governos dos países que estiveram na linha de frente no combate a COVID-19, análise de sistemas e instituições, construção de cenários futuros e modelação epidemiológica.
Um dos elementos distintivos da PRIME foi a realização de 20 estudos de casos, com objectivo de compreender a experiência de diferentes sociedades durante a pandemia de COVID-19 e os factores que influenciaram a capacidade das populações de se protegerem. Moçambique esteve entre os países envolvidos, tendo o estudo procurado incorporar tanto as perspectivas de actores-chave a nível nacional como as experiências das comunidades, incluindo mulheres residentes no distrito de Manhiça.
O coordenador da área de tuberculose no CISM, Alberto L. García-Basteiro, participou no lançamento global do relatório, em Nova Iorque, onde moderou a mesa-redonda “What the evidence changes”.
A sessão centrou-se nas implicações práticas das evidências produzidas pela Comissão e na forma como estas podem contribuir para repensar políticas e mecanismos de preparação para futuras pandemias.
Uma das principais conclusões da PRIME Comission é que a preparação para pandemias não deve ser avaliada apenas pela existência de planos, infra-estruturas ou capacidades técnicas, mas também pela capacidade efectiva dos sistemas e das sociedades de proteger as pessoas de forma equitativa durante uma crise.
A análise mostrou que essa capacidade de protecção é influenciada por múltiplos factores, incluindo a insegurança económica, condições de habitação, barreiras no acesso aos serviços essenciais, a confiança nas instituições e informação em saúde, bem como limitações dos sistemas de saúde e protecção social.
Estes factores podem determinar quem consegue adoptar medidas de protecção durante uma emergência e quem permanece mais exposto aos seus impactos.
Com base nas evidências apresentadas, a PRIME apresenta dez recomendações, abrangendo áreas como participação comunitária, abordagem One Health, protecção social, governação, comunicação e confiança, financiamento, aprendizagem contínua, recuperação e cooperação regional e global.
Entre as ferramentas propostas destaca-se o PRIME Test, concebido para apoiar a avaliação de políticas, estratégias e investimentos à luz de critérios de protecção, equidade, participação comunitária, confiança e resiliência dos sistemas.
A Comissão pretende agora avançar das recomendações para a implementação, promovendo a disseminação dos resultados em cada país, diálogos nacionais e regionais que envolvam comunidades, autoridades públicas, profissionais, investigadores, financiadores e parceiros considerados estratégicos na prevenção e acções concretas que reforcem a preparação, prevenção e resposta a futuras pandemias.
(AIM)
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