Maputo, 01 de Outubro (AIM) – Meses depois de enfrentar o impacto devastador das cheias e inundações, a província de Gaza está a dar sinais de recuperação, impulsionada pela capacidade de resistência das comunidades e pelos esforços do Governo para reactivar a produção e restabelecer a normalidade.
A constatação foi feita esta quinta-feira pelo Presidente da República, Daniel Chapo, no distrito de Mapai, durante o início de uma visita de trabalho de quatro dias à província.
A realidade encontrada no terreno, marcada pelos efeitos ainda visíveis dos fenómenos climáticos, mas também pela retoma das actividades produtivas, levou o Chefe do Estado a destacar a resiliência de Gaza e a capacidade das populações de se levantarem depois das cheias.
“Percebe-se que há um esforço que está a ser feito, há um esforço que foi feito para dar esses sinais positivos de uma província de Gaza resiliente, uma província de Gaza que está a recuperar”, afirmou Daniel Chapo.
A constatação foi feita durante a Sessão Extraordinária do Conselho Executivo Provincial, alargada ao Conselho dos Serviços de Representação do Estado na Província, administradores distritais e presidentes dos Conselhos Autárquicos, orientada pelo Presidente da República no âmbito da agenda de Governação de Proximidade, Participativa e Inclusiva.
O encontro permitiu avaliar a situação da província após as cheias e inundações, bem como os progressos alcançados na recuperação dos sectores afectados. Para o Presidente da República, os resultados apresentados devem ser analisados tendo em conta a dimensão dos estragos provocados pelos fenómenos climáticos.
Daniel Chapo advertiu que alguns indicadores menos positivos não podem ser dissociados do impacto das cheias e inundações.
“E alguns indicadores que não têm resultados positivos resultam mesmo da questão das cheias, inundações que afectaram a província. E se trouxessem todos os indicadores a crescer, nós próprios íamos desconfiar que alguma coisa não está bem”, observou.
Um dos sinais mais evidentes da recuperação de Gaza está no sector da agricultura, onde as comunidades voltaram a trabalhar para repor a produção perdida durante as cheias.
O Presidente da República recordou que a província foi colocada entre as primeiras prioridades na distribuição de sementes, numa estratégia destinada a permitir que os produtores retomassem rapidamente a actividade agrícola.
“Por isso, quando chegou a vez de distribuição de sementes, a primeira coisa que nós fizemos foi começar com distribuição de sementes em Gaza, porque sabíamos que, como se diz, depois da tempestade vem a bonança”, afirmou.
Embora os níveis de produção ainda estejam aquém das expectativas, o Chefe do Estado considerou significativo o esforço desenvolvido pelas comunidades para recuperar os seus meios de subsistência.
“A população não ficou de braços cruzados, meteu mão na massa e os resultados são visíveis”, destacou.
A afirmação traduz, segundo o Presidente, uma realidade em que a resposta às cheias não se limitou à intervenção das instituições públicas, contando também com a iniciativa das próprias comunidades, que retomaram as actividades produtivas apesar das perdas provocadas pelas inundações.
A recuperação, contudo, não significa o fim dos desafios. Durante o encontro, Daniel Chapo chamou a atenção dos administradores distritais para a necessidade de reforçar a preparação face à previsão de ocorrência do fenómeno El Niño, associado a períodos de seca.
“A seca que está a vir aí é uma realidade”, alertou o Presidente da República, apelando à adopção de medidas antecipadas para reduzir os impactos sobre as populações e a produção agrícola.
A advertência surge num contexto em que Gaza procura consolidar os ganhos alcançados depois das cheias, ao mesmo tempo que se prepara para um novo cenário climático que poderá afectar particularmente o sector agrário e a disponibilidade de água.
Ao fazer o balanço da situação da província, o Presidente da República considerou que os sinais observados apontam para uma recuperação progressiva.
A visita de trabalho de quatro dias insere-se na agenda presidencial de Governação de Proximidade, Participativa e Inclusiva e deverá permitir ao Chefe do Estado acompanhar, no terreno, a evolução das condições sociais e económicas da população, bem como os desafios que persistem após os eventos climáticos.
Entre perdas e esforços de reconstrução, Gaza procura transformar a experiência das cheias numa oportunidade para reforçar a sua capacidade de resposta. Para já, a retoma da actividade agrícola e o empenho das comunidades constituem alguns dos sinais de que a província voltou a pôr-se de pé.
(AIM)
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