Maputo, 07 de Out (AIM) – O Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Edson Macuácua, defendeu, hoje em Maputo, uma mudança no modelo de financiamento da ciência na Comunidade de Paises da Lingua Portuguesa (CPLP), com mais cofinanciamento entre os países, maior participação do sector privado e acesso reforçado a fundos internacionais para garantir a sustentabilidade da investigação científica.
A abordagem foi apresentada esta quarta-feira, durante a abertura da Reunião da Rede das Agências de Financiamento da Ciência da CPLP, que junta em Maputo responsáveis de instituições de financiamento, investigadores e académicos dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Macuácua considera que a dependência quase exclusiva dos orçamentos públicos coloca a investigação científica numa situação de vulnerabilidade, sobretudo num contexto internacional marcado por fortes pressões sobre os recursos públicos e por uma crescente disputa pelo financiamento internacional.
Para o governante, é necessário “pensar fora da caixa” e procurar fontes alternativas de financiamento que garantam recursos mais previsíveis, estáveis e sustentáveis para a investigação.
O Secretário de Estado defendeu que financiar a investigação científica não deve ser visto como um custo, mas como um investimento estratégico no desenvolvimento dos países.
Segundo Macuácua, é através da ciência que os países podem encontrar respostas para desafios como as mudanças climáticas, a saúde pública, a pobreza, a transformação digital e a transição energética.
De acordo com a fonte, a aposta na investigação, pode também contribuir para acelerar o crescimento económico, melhorar o bem-estar das populações e fortalecer a capacidade dos países de produzirem soluções próprias para os seus problemas.
“Financiar a ciência é financiar a soberania e o progresso das nossas nações”, defendeu.
A cooperação científica entre os países de língua portuguesa foi apontada como uma das principais ferramentas para enfrentar as diferenças existentes na capacidade de financiamento da investigação.
Macuácua defendeu que nenhum país da CPLP deve ficar para trás na corrida tecnológica, num momento em que a inteligência artificial e a transformação digital estão a alterar rapidamente a economia e a sociedade.
Para responder a este desafio, apontou duas prioridades, nomeadamente, reduzir a assimetria de recursos entre os países e tornar o acesso aos fundos mais simples, rápido, transparente e orientado para resultados.
A língua portuguesa, segundo o governante, constitui uma vantagem estratégica para esta cooperação, ao facilitar a mobilidade de investigadores, a partilha de conhecimento e de dados e a criação de redes e consórcios científicos entre os países.
Entre as soluções propostas está a criação de mecanismos conjuntos de cofinanciamento no espaço da CPLP.
O governante defendeu igualmente uma maior participação do sector privado, da filantropia e dos parceiros internacionais no financiamento da investigação científica.
A aposta passa ainda pela construção de parcerias com blocos e instituições internacionais, de modo a apresentar a CPLP como um espaço científico com capacidade para atrair investimento e desenvolver projectos de impacto global.
Macuácua defendeu uma aproximação mais forte entre universidades, centros de investigação e empresas, argumentando que o conhecimento produzido pelas instituições científicas deve também gerar soluções com valor económico e social.
Outro desafio colocado às agências de financiamento está relacionado com a transformação do papel das universidades.
Segundo o Secretário de Estado, as instituições de ensino superior já não podem limitar-se ao ensino tradicional. Devem funcionar também como centros de investigação, inovação e empreendedorismo.
(AIM)
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