Maputo, 6 Out (AIM) – O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique foi revisto em baixa para 0,9 por cento, contra os 2,8 por cento inicialmente projectados pelo Governo, devido ao impacto das cheias, choques económicos e outros factores que continuam a pressionar a actividade económica.
O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, disse esta quarta-feira, em Maputo, que a economia moçambicana continua a apresentar um crescimento moderado, apesar dos sinais de recuperação registados em alguns sectores.
“Nós estamos a implementar o Plano de Reconstrução e Crescimento Económico, um plano estratégico para inverter a tendência da economia, aprovado no ano passado, quando estávamos numa situação de desaceleração económica”, afirmou Valá.
Segundo o ministro, os choques económicos e os efeitos das cheias continuam a afectar o desempenho da economia, condicionando a recuperação do crescimento.
“Há sinais de retorno, mas a situação inspira cuidados e o Governo está a trabalhar no sentido de inverter o cenário”, disse.
Perante os riscos associados aos fenómenos climáticos extremos, o Governo está a implementar medidas de recuperação das áreas afectadas pelas cheias de 2026 e a preparar acções de mitigação e prevenção dos possíveis efeitos do fenómeno El Niño.
De acordo com Valá, existem previsões de ocorrência de seca em 52 distritos, situação que poderá afectar os meios de subsistência das famílias e exercer pressão adicional sobre a actividade económica.
O Governo, acrescentou, está a adoptar medidas preventivas para reduzir o impacto do fenómeno sobre as populações e a actividade produtiva.
“Existem medidas concretas de precaução que o Governo está a tomar, para que, quando chegar o fenómeno El Niño, não abale muito os meios de vida das famílias”, explicou.
O ministro destacou igualmente o apoio dos parceiros de cooperação, incluindo o Banco Mundial, no financiamento das acções de reconstrução, mitigação dos efeitos das cheias e preparação para eventuais impactos do El Niño.
Segundo Valá, os efeitos deste fenómeno climático poderão ultrapassar as fronteiras nacionais, afectando igualmente outros países.
O Ministro falava à margem da II Conferência Nacional de Financiamento Climático, que decorre em Maputo e tem como objectivo fortalecer o ecossistema nacional de financiamento climático e impulsionar investimentos orientados para um desenvolvimento sustentável e resiliente.
O encontro reúne representantes do Governo, parceiros de cooperação e desenvolvimento, instituições financeiras, sector privado e organismos internacionais.
Valá recordou que a primeira Conferência Nacional de Financiamento Climático realizou-se em 2025, cerca de um mês depois da preparação da Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025–2034.
A primeira edição criou uma plataforma de diálogo entre o Governo, sector privado, instituições financeiras, parceiros de cooperação e sociedade civil, tendo colocado em debate temas como fundos climáticos internacionais, mercados de carbono, finanças verdes e azuis e mecanismos de financiamento para situações de desastre.
Após a aprovação da Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025–2034, em 18 de Setembro de 2025, o Governo registou avanços na criação de mecanismos para coordenar a sua implementação.
Entre as medidas adoptadas está a formalização, através do Diploma Ministerial n.º 74/2026, de 24 de Setembro, do Conselho Técnico de Coordenação da Estratégia Nacional de Financiamento Climático.
O órgão tem como função coordenar a implementação da estratégia e contribuir para uma maior articulação entre as instituições envolvidas na mobilização e gestão do financiamento climático.
(AIM)
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