Maputo, 08 de Out (AIM) – O Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Edson Macuácua, desafiou as instituições de ensino superior a colocar a qualidade no centro da sua governação, defendendo que a formação de graduados com competências relevantes é determinante para a empregabilidade, a competitividade económica e o desenvolvimento social de Moçambique.
A posição foi apresentada em Maputo, durante o VIII Fórum dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior, subordinado ao tema “Uma Governação de Instituições do Ensino Superior Focada na Qualidade, relevância e empregabilidade”.
Para Macuácua, o ensino superior já não pode limitar-se à gestão administrativa, financeira e de infra-estruturas. A nova realidade exige instituições capazes de colocar o sucesso dos estudantes, a relevância da investigação e o impacto na comunidade no centro das decisões.
“Recusar a qualidade do ensino superior é escolher o atraso planeado, o caminho mais rápido para a irrelevância global e para a falência estrutural da sociedade”, advertiu o governante.
O primeiro pilar da abordagem defendida pelo Secretário de Estado é a necessidade de transformar a qualidade num processo permanente, e não num reconhecimento burocrático obtido uma única vez. Para isso, as instituições devem adoptar uma cultura de autoavaliação, transparência e melhoria contínua, utilizando os processos de acreditação como instrumentos para identificar fragilidades e elevar os padrões académicos.
O segundo pilar coloca o estudante no centro da aprendizagem. Segundo Macuácua, uma instituição de qualidade deve responder às necessidades concretas de quem aprende, modernizando os métodos pedagógicos, promovendo o bem-estar dos estudantes e assegurando que as competências adquiridas correspondem aos desafios do mercado de trabalho.
O terceiro eixo está ligado à capacidade das instituições de responder às transformações económicas e tecnológicas. Isso implica valorizar e capacitar docentes e pessoal técnico, garantir sustentabilidade e antecipar tendências como a inteligência artificial, a globalização e a transição ecológica.
A preocupação com a empregabilidade ocupou igualmente posição central no discurso. Macuácua reconheceu que, apesar do aumento do número de jovens qualificados que chegam ao mercado de trabalho, conseguir emprego tornou-se um desafio cada vez mais exigente e incerto.
Por isso, defendeu uma mudança de paradigma, exortando as universidades deixarem de formar apenas para a obtenção de diplomas e passar a preparar os estudantes para resolver problemas, adaptar-se a mudanças e criar oportunidades.
A proposta assenta em três mudanças, passar da teoria à agilidade, aproximar a sala de aula do ecossistema empresarial e evoluir do emprego para o empreendedorismo. O objectivo é formar graduados capazes não apenas de procurar emprego, mas também de criar soluções e gerar novas actividades económicas.
Outro ponto destacado foi a acreditação dos cursos. Macuácua defendeu que o processo deve deixar de ser visto como uma exigência burocrática e passar a ser encarado como instrumento de credibilidade institucional, melhoria contínua e internacionalização.
A emergência da inteligência artificial foi apresentada como outro teste à qualidade do ensino superior. O governante apontou riscos relacionados com a integridade académica, o fosso digital e a necessidade de actualizar as competências dos docentes.
Ao mesmo tempo, considerou a IA uma oportunidade para personalizar a aprendizagem, aumentar a eficiência, libertar docentes de tarefas rotineiras e reforçar a investigação científica em áreas estratégicas.
Macuácua defendeu, por isso, uma regulação inteligente da tecnologia, acompanhada por inovação curricular e preparação dos docentes. Para o governante, a transformação do ensino superior depende, sobretudo, da capacidade de cada instituição converter a qualidade num compromisso permanente.
“Garantir a qualidade do Ensino Superior não é uma escolha, é um dever ético e legal”, afirmou.
(AIM)
Paulino Checo
