Droga apreendida na província de Nampula. Foto arquivo
Nampula (Moçambique), 12 OUT. (AIM) – A Procuradoria Provincial da República em Nampula criou uma força-tarefa multissectorial para combater o tráfico de drogas, numa altura em que a província figura entre as três do país com maior incidência de crimes relacionados com a venda e o consumo de substâncias proibidas, a par de Sofala e Tete.
Segundo apurou a AIM, a criação da equipa surge num contexto de aumento dos processos-crime relacionados com drogas. Só nos primeiros oito meses do presente ano foram instaurados 140 processos contra indivíduos envolvidos no tráfico, venda e consumo de estupefacientes, contra 73 registados em igual período de 2025.
Aires Boneth, ponto focal para as questões relacionadas com a investigação do tráfico, venda e consumo de drogas na Procuradoria Provincial de Nampula, disse à AIM que a formação dos integrantes da equipa multissectorial está prevista para os próximos dias, com o objectivo de reforçar a coordenação entre as instituições envolvidas no combate a este tipo de criminalidade.
“Tendo sido constatado que as províncias que registam o maior número de casos relacionados com drogas são Sofala, Tete e Nampula, recomendou-se, na 18.ª reunião do Conselho Coordenador do Ministério Público, a criação de uma força-tarefa. Em Nampula, a equipa já foi criada e teremos, em breve, uma actividade de formação, porque, se vamos lidar com traficantes, também temos de estar preparados”, explicou.
Segundo a fonte, a força-tarefa vai concentrar-se especificamente no combate ao tráfico de drogas, tendo em conta que as substâncias ilícitas podem entrar no território provincial por diferentes vias.
“Essa força-tarefa vai trabalhar especificamente para isso, pois sabemos que a droga pode entrar por via terrestre, marítima ou aérea”, acrescentou.
Boneth afirmou que as acções de prevenção e repressão contribuíram para o aumento do número de processos instaurados contra suspeitos de envolvimento no tráfico, venda e consumo de drogas, que quase duplicou em relação ao período homólogo de 2025.
“Neste ano, registámos um total de 140 processos relativos a drogas e substâncias psicotrópicas. Comparando com o ano anterior, no mesmo período, de Janeiro a Agosto de 2025, tivemos 73 processos, o que significa que o número quase duplicou. Isso deveu-se às actividades de prevenção e repressão”, afirmou.
No domínio da prevenção, explicou, estão a ser realizadas palestras pelos órgãos da administração da justiça, em coordenação com o Gabinete Provincial de Combate à Droga.
A fonte destacou igualmente a campanha “Stop Makha”, lançada pelo governador provincial, que, segundo afirmou, contribuiu para a identificação e intercepção de vários indivíduos suspeitos de envolvimento neste tipo de criminalidade, alguns dos quais se encontram actualmente detidos.
De acordo com Boneth, as operações realizadas permitiram a detenção de pessoas de diferentes faixas etárias, incluindo homens, mulheres, jovens e idosos, suspeitos de envolvimento na venda e no consumo de drogas.
Questionado sobre a ausência, até ao momento, de suspeitos apontados como grandes traficantes e fornecedores de drogas, o responsável afirmou que as autoridades continuam a desenvolver investigações, respeitando os procedimentos legais.
“Temos todos os tipos de traficantes, quer pequenos quer grandes, mas as autoridades não trabalham com suposições. Para levarmos alguém à barra da justiça, temos de ter provas e investigar, uma vez que os agentes do crime nem todos desempenham a mesma função”, esclareceu.
Acrescentou que, em muitos casos, os consumidores interpelados pelas autoridades recusam-se a identificar os fornecedores, o que pode dificultar o aprofundamento das investigações.
“Mesmo quando um consumidor é interpelado, nem sempre quer dizer onde compra a droga. Presumo que as pessoas, quando entram no tráfico de drogas, possam sofrer algum tipo de ameaça, talvez até de morte”, observou.
Boneth reiterou que as detenções efectuadas abrangem pessoas de diferentes idades e de ambos os sexos, suspeitas de envolvimento na venda e no consumo de substâncias ilícitas.
Entretanto, nos primeiros meses deste ano, cerca de mil pessoas com problemas relacionados com o consumo de drogas procuraram assistência médica no hospital psiquiátrico local.
A nível nacional, as autoridades moçambicanas instauraram 418 processos relacionados com o tráfico, venda e consumo de drogas durante o primeiro semestre de 2026. (AIM)
