Cerimonia oficial de encerramento da fase de desarmamento e desmobilizacao-DDR. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 23 Jun (AIM) – O Presidente da República, Filipe Nyusi, afirma que o fim do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) da força residual da Renamo, O maior partido da oposição em Moçambique, é um exemplo de sucesso na condução de processos de paz e de resolução de conflitos internos.
O estadista moçambicano defendeu a asserção hoje, em Maputo, durante a cerimónia oficial de enceramento da fase do Desarmamento e Desmobilização dos homens da Renamo, que marca o enceramento das 16 bases militares e retirada de mais de cinco mil homens das matas para a sua reintegração social, num processo iniciado em Maio de 2016.
“Com este processo, o país ganhou créditos como exemplo em liderar processos de paz e de resolução de conflitos internos”, disse Nyusi, durante o acto que contou com a participação dos Presidentes do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa e do Botswana, Mokgweetsi Masisi.
Aliás, a cerimónia de hoje coloca ponto final aos ataques armados na zona centro do país e ficam para a história as mortes de cidadãos inocentes, incluindo o condicionamento de circulação de pessoas e bens, bem como o exercício da actividade económica.
“Trata-se de um grande investimento para que fique para a história o derramamento de sangue de cidadãos devido a divergências políticas”, disse.
Para assegurar a paz, o governo tomou a decisão de garantir pensões para os ex-guerilheiros da Renamo, um dos custos da paz, condição para ultrapassar as divisões e construir uma paz duradoura.
No entanto, Nyusi adverte que o processo não significa o fim do diálogo pela paz em Moçambique, apontando como próximo passo a reintegração dos antigos guerrilheiros da Renamo, apelando a participação de todas as forças vivas da sociedade na mobilização de recursos para o fundo de pensões.
“Sabemos que ainda temos pela frente um longo caminho para reintegração e reconciliação que vai exigir a contribuição de todos. Esse caminho terá que ser trilhado por nós, moçambicanos. A paz não é um produto acabado, é um processo contínuo”, frisou.
Segundo Nyusi, o sucesso da conclusão do DDR deve-se as negociações informais, mantidas com a liderança da Renamo, particularmente o malogrado líder da Renamo, Afonso Dhlakama, bem como o actual presidente daquela formação política, Ossufo Momade.
“Foi na base dessas conversas, muitas das vezes num ambiente informal que conseguimos concluir o processo, garantindo que os desmobilizados possam integrar o sistema de pensões”, disse.
Num outro desenvolvimento, Mnangagwa, congratulou o governo moçambicano e o líder da Renamo pelo comprometimento na busca da paz efectiva, facto que constitui um elemento essencial para o desenvolvimento.
Mnangagwa entende que o DDR tem um grande significado para a região austral e o continente africano no geral, tendo em conta que foi um processo liderado pelos moçambicanos.
Assegurou que o seu país vai continuar a apoiar os esforços de Moçambique na busca da paz, citando como exemplo o combate ao terrorismo em Cabo Delgado na zona norte, através da Missão Militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SAMIM, sigla em inglês)
Já o Presidente do Botswana, referiu que o seu governo está confiante de que o DDR vai trazer a paz definitiva em Moçambique, a julgar pelo empenho das partes envolvidas na materialização do processo.
Disse que a paz é um dos elementos de que Moçambique precisa para impulsionar o desenvolvimento político, económico e social, condição principal para a prosperidade.
“Botswana vai continuar a apoiar Moçambique na sua política de diálogo para a busca da paz”, disse Masisi.
Refira-se que, durante a cerimónia, o representante pessoal do Secretário-geral das Nações Unidas, e chefe do Grupo de Contacto, Mirko Manzoni, apresentou o relatório final do DDR, tendo afirmado que comporta um conjunto de acções interdependentes que foram executados em cadeia, através de estruturas de execução, supervisão, monitoria e verificação de processos.
(AIM)
PC/sg
