Presidente da RENAMO, Ossufo Momade, profere o discurso de abertura na IV Reunião da Associação dos Antigos Combatentes da Luta pela Democracia (ACOLDE). Foto de Carlos Júnior
Maputo, 04 Jun (AIM) – O presidente da Renamo, Ossufo Momade, reapareceu hoje (4) ao público, em Maputo, depois de uma longa ausência, com um apelo aos militantes do partido para que estabeleçam plataformas próprias de diálogo interno, com vista à construção de consensos e à superação das actuais tensões.
O apelo surge após acontecimentos de Maio, quando antigos guerrilheiros decidiram invadir a sede do partido e o gabinete de Momade na cidade de Maputo, exigindo a sua renúncia. A situação foi contida graças à pronta intervenção da Polícia da República de Moçambique.
O reaparecimento de Momade aconteceu durante a abertura da IV Reunião da Associação dos Combatentes da Luta pela Democracia (ACOLD) e reacendeu o debate sobre a forma como a liderança pretende lidar com as inquietações dos antigos guerrilheiros da organização.
“A Renamo sempre se afirmou como um partido dialogante. Os nossos estatutos consagram estruturas como a Liga Feminina, a Liga da Juventude e a ACOLD como organizações especiais, essenciais para a vitalidade do partido. Criámos essas plataformas para promover um diálogo interno construtivo e para dar seguimento aos objectivos consagrados no artigo 4 do nosso estatuto”, afirmou.
Momade incentivou os combatentes a utilizarem a ACOLD como espaço privilegiado para discutir ideias que reforcem a unidade do partido e a sua missão histórica.
“Os nossos adversários políticos não são os nossos companheiros de partido. São aqueles que, a todo custo, procuram impedir-nos de alcançar a nossa missão de governar Moçambique”, declarou.
O presidente da Renamo também manifestou a sua preocupação com a alegada marginalização de desmobilizados no processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR).
Segundo ele, apesar de o processo ter sido iniciado antes da sua liderança, a actual direcção tem-se empenhado em dar continuidade aos entendimentos alcançados, sem alterações nas equipas ou acordos firmados pelo falecido líder Afonso Dhlakama.
“Tudo fizemos para garantir que os combatentes desmobilizados tivessem acesso a pensões e a projectos de geração de rendimento”, afirmou.
O maior desafio, explicou, é garantir a atribuição de pensões a 5.221 combatentes ainda por beneficiar. Momade sublinhou que essa responsabilidade cabe ao Estado e não ao partido:
“A Renamo e o seu presidente não são os responsáveis por definir nem pagar pensões. Compete ao Estado, através do Governo, cumprir essa obrigação. Lamentavelmente, as promessas da comunidade internacional ainda não se materializaram”, lamentou.
Por sua vez, o representante do presidente da ACOLD, Domingos Gundana, apelou ao espírito de fraternidade e de debate sereno entre os membros, destacando a importância de encontrar soluções construtivas para o fortalecimento do partido.
“O presidente do partido tem sabido administrar os desafios com espírito de paz interna. Vimos generais tentarem dialogar com os nossos irmãos acampados na sede do partido, embora sem sucesso. Precisamos de conversar como irmãos, antigos companheiros de trincheira, com respeito e sem acusações, para que todos saiam deste encontro com consensos”, reforçou.
(AIM)
SNN/sg
