Maputo, 10 Jul (AIM) – O programa Women’s Voice and Leadership, Aliadas (WVL-Aliadas) entra numa nova fase para reforçar o empoderamento de mulheres moçambicanas, com foco especial nas vítimas de conflito armado na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.
A iniciativa, coordenada pelo Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC) e financiada pelo Governo do Canadá, foi relançada quinta-feira (10), em Maputo, com objectivo de consolidar movimento feminista em Moçambique.
Durante o acto, a directora do programa, Paula Monjane, sublinhou que a renovação ocorre “num contexto interno e externo cada vez mais complexo”, que exige abordagens estratégicas e inclusivas. “Vamos dar atenção especial às mulheres em Cabo Delgado, mas também a grupos emergentes como mulheres LGBTQI+, jovens urbanas e rurais”, afirmou.
Entre 2019 e 2024, a primeira fase do Aliadas apoiou mais de 4.000 mulheres, através de 57 colectivos feministas em todo o país e a nova fase, com duração até 2030, conta com um orçamento de 9,7 milhões de dólares canadianenses (cerca de 455,9 milhões de meticais), e prevê o uso de Fundos plurianuais, Mecanismos de resposta rápida, Reforço institucional e técnico às organizações parceiras.
A directora executiva do CESC, Fidélia Chemane, destacou que Cabo Delgado tornou-se prioridade à medida que o conflito se agravava. “O programa não foi desenhado para contextos de guerra, mas tornou-se claro que não havia lugar mais urgente para o Aliadas do que Cabo Delgado”, disse.
A actuação no terreno incluiu, a primeira pesquisa nacional sobre mulheres deslocadas, sessões de terapia comunitária e apoio a traumas, bem como ações de solidariedade com metodologias feministas ajustadas à realidade local.
Durante a Covid-19, o Aliadas lançou a plataforma Mulheres com Vida, que agrega mais de 120 representantes de colectivos feministas, uma experiência que reforçou a importância de articulação e resposta ágil, levando à criação do Observatório das Mulheres e Observatório do Feminicídio.
O programa também promoveu a Feira Económica Solidária em Nampula, aliando debate de direitos a oportunidades económicas. Na nova fase, o objetivo será reforçar a influência política dos colectivos, especialmente em reformas estruturantes como a Lei do Conteúdo Local.
“Queremos que as mulheres possam intervir no diálogo político nacional e que suas realidades sejam levadas em conta”, afirmou Monjane.
Refira-se que, o programa manterá flexibilidade e escuta activa diante de desafios como as alterações climáticas e a vulnerabilidade social. “Não teremos respostas rígidas, mas vamos continuar a colaborar com as comunidades, em marcha até que todas estejamos livres”, concluiu Chemane.
(AIM)
NL/PC
