Vista parcial frontal da fabrica de aluminio MOZAL. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 15 Jul (AIM) – O governo moçambicano garante que vai continuar a fornecer energia eléctrica à fundição de alumínio Mozal através da empresa Electricidade de Moçambique (EDM).
Actualmente, a Mozal recebe energia da companhia sul-africana Eskom que, por seu turno, adquire na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) empresa moçambicana instalada na província central de Tete. O contrato de fornecimento de energia a Mozal expira em Março de 2026.
Desde a instalação da MOZAL, no ano de 2000, no Parque Industrial de Beluluane, distrito de Boane, província meridional de Maputo, que a Eskom fornece energia a Mozal, mas, nos últimos seis anos, a Mozal tem vindo a manter contactos com o governo moçambicano para garantir a aquisição de electricidade da HCB a um preço economicamente viável.
Falando hoje na cidade da Beira, província central de Sofala, no habitual briefing à imprensa, minutos após o fim da 25ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, o porta-voz do governo, Inocêncio Impissa, vincou ser interesse do Executivo que a Electricidade de Moçambique passe a fornecer energia à Mozal.
“É de nosso interesse que a Mozal continue a ter energia suficiente. É o interesse do governo. É interesse também do governo que quem fornece a energia passe a ser a EDM”, disse Impissa quando questionado sobre o assunto.
A Mozal queixa-se sobre a morosidade na resposta sobre o anúncio da rescisão do contrato com a Eskom.
.
Impissa explicou que actualmente, a contratação é feita de forma directa, e o governo quer introduzir a EDM, acautelando o facto de as negociações estarem a decorrer a porta fechada.
“São termos que devem ainda estar a ser debatidos, mas, com certeza, a Mozal não vai ficar sem energia”, afirmou Impissa, acrescentando que “porque é uma indústria cujo interesse é não só da própria Mozal, mas, sobretudo, é dos moçambicanos, pelas diferentes razões que todos sabemos”, disse.
Explicou que a Mozal emprega milhares de moçambicanos e com impostos que entram tanto para a bolsa, orçamento moçambicano. “por isso, há vantagens de termos ali a Mozal”.
O porta-voz assegurou igualmente que a energia vai ser fornecida continuamente.
Num outro desenvolvimento, a AIM apurou que até hoje, Mozal não conseguiu chegar a acordo sobre uma tarifa de electricidade acessível com a HCB.
Recentemente, a HCB indicou que a seca que, nos últimos anos afecta a região da África Austral continua a impactar negativamente a geração de electricidade e a sua capacidade de fornecer energia hidroeléctrica suficiente à Mozal.
Estes factores resultaram numa maior incerteza quanto ao futuro fornecimento de electricidade à fundição.
“Continuamos a dialogar com o governo da República de Moçambique, a HCB e a Eskom para garantir o fornecimento de electricidade acessível para permitir à Mozal operar para além de Março de 2026, e manter o seu substancial contributo para a economia de Moçambique”, lê-se em um comunicado da South 32 o maior accionista com 63,7 por cento.
“Estamos a avaliar o valor contabilístico da Mozal, dada a crescente incerteza quanto ao futuro fornecimento de electricidade e esperamos reconhecer uma despesa por imparidade nos nossos resultados do exercício de 2025”, vinca.
A Mozal promete fornecer o montante da despesa por imparidade quando a avaliação estiver concluída.
O documento termina afirmando que “dada a incerteza de operar para além de Março de 2026, a orientação de produção do ano fiscal de 26 para a Mozal está a ser revista”.
(AIM)
ac/sg
