Fábrica de Alumínio Mozal
Maputo, 26 Ago (AIM) – Cerca de 60% das empresas instaladas no Parque Industrial de Beluluane já não prestam serviços à Mozal, a maior fundição de alumínio de África, actualmente em impasse com o Governo sobre a tarifa de energia eléctrica, matéria-prima fundamental para o seu funcionamento.
A revelação foi feita esta terça-feira (26) pelo director-geral do Parque Industrial de Beluluane (MozParks), Onorio Boane, durante a apresentação das potencialidades da província de Maputo na Feira Internacional de Negócios (FACIM 2025).
“Este parque inicialmente estava focado em hospedar empresas que produzem peças para a Mozal. Depois de um certo tempo, o parque diversificou-se. Hoje, apenas 40% das empresas que estão lá é que servem à Mozal”, afirmou Boane.
De acordo com Boane, a maioria das empresas hoje instaladas actua em sectores voltados para a indústria de exportação e para o mercado doméstico, o que demonstra que a sobrevivência do parque já não depende exclusivamente da Mozal.
Actualmente, o Parque de Beluluane alberga mais de 60 empresas de 20 países, gerando cerca de 12 mil postos de trabalho, dos quais 8 mil estão ligados a actividades fora da cadeia de fornecimento da Mozal.
Num momento em que se discute a sustentabilidade da Mozal em Moçambique devido ao debate sobre os custos da energia eléctrica, Boane deixou uma reflexão sobre o futuro dos grandes projectos industriais no país.
“A pergunta que eu quero colocar é a seguinte: se, por ventura, a Mozal fechar, o parque continua ou não continua? Não precisamos responder, é apenas uma reflexão”, disse.
Para o responsável, a experiência de Beluluane mostra a importância de ligar megaprojetos a parques industriais, permitindo o desenvolvimento de cadeias de valor locais e a criação de empregos sustentáveis.
“Por si só, um grande projecto isolado não consegue gerar todos os efeitos desejados. É preciso ter um parque industrial associado, que diversifique e dinamize a economia”, sublinhou.
De acordo com a fonte, o caso de Beluluane é apontado como exemplo de resiliência industrial, sobretudo quando comparado a outros megaprojectos no país que não criaram cadeias de fornecedores locais e acabaram por deixar um vazio económico.
“Aqui temos um parque que soube diversificar-se. Não é o que temos em outras regiões, onde praticamente os projectos ficaram isolados e não conseguiram catapultar oportunidades para a economia nacional”, concluiu Boane.
(AIM)
Paulino Checo/sg
