Maputo, 27 Jul (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou que a aquisição de “tractores adaptados” visa responder aos desafios de mobilidade em zonas rurais de Moçambique, onde é fisicamente inviável a construção de estradas mesmo com recursos financeiros disponíveis.
Em conferência de imprensa, este sábado, de balanço da sua visita de trabalho à província central da Zambézia, o Chefe do Estado esclareceu que os referidos meios não devem ser contrapostos à construção de vias de acesso, pois trata-se de soluções específicas para contextos particulares.
“Não é o problema de estrada ou não estrada, é mesmo do tipo de terreno que dá acesso a determinada zona”, explicou Chapo.
Acrescentou que os tractores são destinados exclusivamente a regiões com solos alagadiços ou montanhosos, onde até viaturas todo-o-terreno não conseguem circular.
Segundo o Presidente, em zonas como Guruè e Mocuba, na Zambézia, as populações manifestaram a sua satisfação com a iniciativa, tendo descrito os tractores como “o meio mais adequado” para o escoamento de produtos agrícolas.
“Temos matope, temos até zonas montanhosas”, citaram os residentes, conforme relatou o estadista moçambicano.
Chapo disse que a impossibilidade de aceder a algumas localidades compromete acções básicas do Estado, como a entrega de medicamentos e exames escolares.
“Temos também zonas que mesmo para fazermos chegar exames aos nossos alunos, durante o final do ano, uma viatura 4×4, de tracção às quatro rodas, uma Landcruiser, não chega”, lamentou.
Nesse sentido, os tractores surgem como a única alternativa viável para assegurar o transporte de bens e pessoas em áreas isoladas. “Não são meios de transporte para a cidade de Quelimane, não são meios de transporte para os municípios, não são meios de transporte para o asfalto”, esclareceu.
O Presidente sublinhou ainda que a dificuldade no escoamento da produção tem implicações na segurança alimentar.
“Temos pessoas, neste país, onde numa zona há um excesso de produção e na zona ao lado existem pessoas a passarem fome”, explicou.
Segundo o Presidente, os tractores contribuirão para reduzir essas desigualdades.
Entre os produtos que enfrentam barreiras logísticas na Zambézia, Chapo destacou o arroz, feijão bóer, gergelim, mandioca e cana-de-açúcar. “Neste momento, a população da zona rural sofre para transportar os seus produtos”, reconheceu.
O estadista reiterou o compromisso do Governo de expandir a rede rodoviária sempre que tal se revele tecnicamente exequível.
“A demanda é muito grande. Mas repito: é para a zona rural, não é para a zona urbana”, vincou Daniel Chapo.
(AIM)
SNN/mz
