Maputo, 27 Jul (AIM) – Um tribunal militar na República Democrática do Congo (RDC) iniciou o julgamento do ex-presidente Joseph Kabila, acusado de traição e uma série de crimes graves ligados ao seu suposto apoio ao grupo rebelde M23.
A audiência ocorreu no distrito de Gombe, em Kinshasa, mas Kabila não esteve presente, por estar fora do país e a ser julgado à revelia. As acusações contra o ex-presidente incluem assassinato, tortura, estupro e conspiração para derrubar o governo.
As autoridades alegam que Kabila apoiou os rebeldes do M23, que tomaram grandes áreas do RDC, tendo Kabila negado anteriormente qualquer vínculo com o grupo.
Kabila governou a RDC por 18 anos, antes de entregar o poder a Félix Tshisekedi, em 2019. No entanto, as relações entre os dois se deterioraram em 2020, depois que Tshisekedi rescindiu o acordo de partilha de poder. Kabila partiu para o país vizinho de Moçambique, a África do Sul.
Em maio, Kabila retornou à RDC e visitou cidades sob controle do M23, uma atitude que irritou as autoridades, que, posteriormente, suspenderam sua imunidade como senador vitalício para permitir seu processo.
O caso atraiu a atenção nacional, com muitas pessoas a acompanharem de perto o desenrolar do julgamento, mas o processo foi adiado até 31 de julho corrente.
Os aliados de Kabila, como Ferdinand Kambere, acusam o governo de dupla moralidade, afirmando que o tratamento dado ao ex-presidente é desproporcional em relação ao acordo de paz com os rebeldes.
(AIM)
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