Maputo, 7 Ago (AIM) – Os países africanos sem litoral defenderam, esta quinta-feira, maior cooperação internacional para ultrapassar as suas desvantagens geográficas, durante a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Países em Desenvolvimento Sem Acesso ao Mar (LLDCs, na sigla inglesa), realizada em Avaza, no Turcomenistão.
O encontro reuniu chefes de Estado e de Governo, incluindo o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, e o Presidente do Turcomenistão, Serdar Berdimuhamedov, bem como representantes da sociedade civil, setor privado, juventude, parlamentos e parceiros internacionais.
A agenda centrou-se em temas como conectividade, liderança feminina, resiliência climática e integração regional.
Dos 32 países classificados como LLDCs, 16 pertencem ao continente africano, designadamente, Botswana, Burkina Faso, Burundi, República Centro-Africana, Chade, Essuatíni, Etiópia, Lesoto, Malawi, Mali, Níger, Ruanda, Sudão do Sul, Uganda, Zâmbia e Zimbabué.
Sem acesso direto ao mar, estas nações enfrentam custos elevados de transporte, dificuldades logísticas e entraves ao comércio externo.
Em resposta, têm vindo a procurar soluções diplomáticas. Um dos casos mais debatidos é o da Etiópia, cujo primeiro-ministro, Abiy Ahmed, tem pressionado por acesso estratégico ao Mar Vermelho, gerando tensões com a Somália após um acordo controverso com a região da Somalilândia, não reconhecida por Mogadíscio.
Mali, Níger, Burkina Faso e Chade manifestaram apoio à Iniciativa Atlântica, proposta por Marrocos, que pretende criar um corredor de acesso ao Oceano Atlântico para países do Sahel. A iniciativa tem o objetivo de dinamizar as economias regionais, mas também é vista como parte de uma disputa geoestratégica com a vizinha Argélia, sobre o controlo de rotas comerciais e influência na região.
Durante a conferência, foi oficialmente lançado o Programa de Ação de Avaza, que irá vigorar entre 2024 e 2034. O plano pretende acelerar o desenvolvimento sustentável dos LLDCs, com enfoque em cinco áreas prioritárias, Transformação estrutural e inovação tecnológica, Comércio e integração regional, Transporte e conectividade, Adaptação às mudanças climáticas e Redução da vulnerabilidade a desastres naturais.
A implementação será acompanhada de um roteiro estratégico que visa alinhar políticas nacionais com iniciativas regionais e apoio internacional.
(AIM)
Paulino Checo/
