Matutuine, 9 Ago (AIM) – A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) pretende assumir-se como operador no sector do petróleo e gás em Moçambique, passando de mero parceiro para uma posição de liderança em projectos de exploração e produção.
A abordagem está em discussão desde sexta-feira, no distrito de Matutuine (Ponta de Ouro), província de Maputo, zona sul do país, pelos membros do conselho de administração da empresa que se encontram em retiro para desenhar um plano estratégico ambicioso da empresa.
Actualmente, a ENH participa como acionista em cerca de 10 concessões de hidrocarbonetos no país, representando os interesses do Estado moçambicano e detendo participações que variam entre 10% e 40% na cadeia de valor da pesquisa e produção.
A empresa actua como braço comercial do Estado, mas a operação dos projectos está, até agora, nas mãos de multinacionais estrangeiras como a TotalEnergies (Mozambique LNG – Área 1), ENI (Coral Sul FLNG – Área 4) e ExxonMobil (Rovuma LNG), entre outros operadores.
A presidente do Conselho de Administração da ENH, Ludovina Bernardo, defende que este é o momento certo para dar o salto. “Temos que começar a posicionar-nos na indústria de petróleo e gás como operadores. Queremos operar e, se tudo correr bem, em breve partilharemos os resultados dos primeiros passos nessa direcção”, afirmou.
Segundo Bernardo, o novo plano de negócios da ENH, com horizonte superior a cinco anos, prevê a criação de uma carteira de projectos para capitalizar as quantidades de gás natural alocadas nos empreendimentos da Bacia do Rovuma. Estas reservas representam, segundo a responsável, uma oportunidade estratégica para dinamizar o desenvolvimento industrial no país, com destaque para o fornecimento de gás doméstico como motor de iniciativas de transformação local e geração de valor económico.
A ENH já detém interesses na Central de Processamento de Pande e Temane, na província de Inhambane, e em projectos de gasodutos. A empresa também actua como agregadora e comercializadora de gás natural, possuindo uma rede de distribuição canalizada em Maputo e Marracuene, com extensão de 65 quilómetros, e projeta participar no transporte de gás natural, petróleo e condensado, tanto por via marítima como terrestre, incluindo iniciativas transfronteiriças.
(AIM)
Paulino Checo
