Presidente da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), Tanaka Akihiko
Maputo, 18 Ago (AIM) – Na véspera da 9ª Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano (TICAD9), o Presidente da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), Tanaka Akihiko, destaca a importância da juventude, da inovação e das parcerias estratégicas como motores de transformação no continente africano.
“Com a TICAD 9 que se realiza em Yokohama, o mundo volta sua atenção mais uma vez para África, um continente rico em diversidade, resiliência e potencial”, afirmou Tanaka, em sua mensagem partilhada com AIM.
Segundo o responsável, a conferência acontece num momento de grandes desafios globais, como mudanças climáticas, fragmentação geopolítica e desigualdade económica, e oferece uma “plataforma vital para reinventar a cooperação para o desenvolvimento, baseada no respeito mútuo, inovação e na parceria estratégica.
Para Tanaka, a juventude africana é a chave para o futuro do continente. “Até 2050, uma em cada quatro pessoas no mundo será africana. Esta mudança demográfica representa uma oportunidade histórica: um ‘dividendo demográfico’ impulsionado por uma força de trabalho jovem e dinâmica. Mas este potencial só poderá ser concretizado através de investimentos sustentados na educação, saúde e na criação de emprego. Sem isso, as mesmas forças demográficas poderão agravar a pobreza e a instabilidade”, advertiu.
Desde 1954, a JICA tem trabalhado em mais de 190 países, promovendo o que chama de “desenvolvimento endógeno”, baseado no empoderamento das comunidades locais.
Entre os programas destacados estão, CARD (Coligação para o Desenvolvimento do Arroz Africano), que duplicou a produção de arroz em 10 anos e pretende atingir 56 milhões de toneladas até 2030, a SHEP, que apoia pequenos agricultores na horticultura, a KAIZEN, método de aumento de produtividade adaptado da indústria japonesa.
“Todos estes programas hoje contam com liderança africana, um passo essencial para a sustentabilidade, sublinhou o presidente da JICA”, realçou.
Tanaka destacou também o papel de jovens empreendedores africanos. “Os jovens africanos não são apenas beneficiários, são inovadores”, disse, referindo-se ao Projecto NINJA (Next Innovation with Japan), criado em 2020 para conectar startups africanas a investidores japoneses.
Na TICAD9, a JICA vai apresentar a Iniciativa IDEA (Investimento de Impacto para o Desenvolvimento da África Emergente), que visa mobilizar capital privado para o desenvolvimento socioeconómico e para a acção climática.
A JICA aposta também no intercâmbio humano como pilar da cooperação, e desde 2013, mais de 1.900 jovens africanos estudaram no Japão através da Iniciativa ABE. Entre os exemplos de sucesso está a sul-africana Pelonomi Moiloa, fundadora da “Lelapa AI”, incluída em 2023 na lista dos 100 talentos em IA da revista TIME.
Agora, a nova iniciativa TOMONI Africa vai ampliar estes intercâmbios, promovendo amizades e projectos conjuntos entre africanos e japoneses.
O presidente da JICA lembrou ainda o papel do voluntariado japonês, com mais de 16.000 missões em África, e a importância do multilateralismo através da TICAD. “A África encontra-se numa encruzilhada. Os seus desafios, pobreza, conflitos, governança, são reais. Mas as suas oportunidades, juventude, inovação, resiliência, são igualmente poderosas”, afirmou.
E concluiu com uma mensagem clara, “Para o Japão, o envolvimento com África não é caridade, mas um investimento estratégico num futuro compartilhado. O futuro não é algo a ser dado é algo a ser construído, em conjunto.”
(AIM)
PC/sg
