Maputo, 14 Set (AIM) – O Ministério da Saúde (MISAU) introduziu um selo de rastreabilidade nos medicamentos e artigos médicos recebidos hoje, em Maputo, com o objectivo de acompanhar o percurso dos produtos no Sistema Nacional de Saúde (SNS) e combater o seu roubo e desvio.
“Vai nos ajudar a combater o roubo, o desvio de medicamentos”, afirmou o Ministro da Saúde, Ussene Isse, durante a cerimónia de recepção dos medicamentos e artigos médicos adquiridos com apoio do Banco Mundial, realizada no Armazém Central de Medicamentos (CMAM).
O governante explicou que o novo mecanismo permitirá saber onde se encontram os medicamentos pertencentes ao SNS, reforçando o controlo sobre os produtos ao longo da cadeia de abastecimento.
“São poucos países no continente com esta capacidade de ter o selo, e sabemos onde é que o medicamento do Sistema Nacional de Saúde está”, acrescentou.
Para Ussene Isse, a introdução do selo deve contribuir para assegurar que os medicamentos e materiais médico-cirúrgicos adquiridos para o SNS cheguem efectivamente aos pacientes e sejam utilizados para melhorar a prestação de cuidados de saúde.
“Não basta só ter os medicamentos, podemos ter tantos medicamentos, mas se estes medicamentos não chegam à boca do doente, não melhoram o atendimento, não aceleram as cirurgias, vale a pena? Não vale a pena”, sublinhou.
O Ministro apelou aos responsáveis das unidades sanitárias para reforçarem o controlo dos produtos recebidos, defendendo que cada medicamento e material utilizado deve ser devidamente contabilizado.
“Cada medicamento e cada luva que nós usamos tem que ser contabilizado”, afirmou, dando como exemplo a necessidade de se controlar a utilização dos materiais durante os turnos e na passagem de responsabilidade entre os profissionais.
Defendeu igualmente maior vigilância por parte dos enfermeiros-chefes e directores clínicos, advertindo que, sem controlo, os produtos recebidos podem desaparecer.
O governante informou que o lote de medicamentos e materiais médico-cirúrgicos recebido está avaliado em cerca de 35 milhões de dólares, sendo que 50 por cento já foi pago com apoio do Banco Mundial.
Acrescentou que a entrega constitui uma resposta parcial às necessidades do SNS, estando prevista a chegada de mais medicamentos e kits, cuja distribuição deverá abranger as unidades sanitárias e postos de saúde comunitários.
Na mesma ocasião, o representante do Banco Mundial, Fily Sissoko, destacou a importância da rastreabilidade para garantir maior responsabilização na cadeia de fornecimento de medicamentos.
“A tecnologia só é transformadora quando as instituições a utilizam”, afirmou, considerando que o novo sistema permitirá construir um registo do percurso dos medicamentos desde a cadeia de abastecimento até ao local onde são utilizados.
Sissoko salientou que a disponibilidade dos produtos deve ser acompanhada pela capacidade de verificar se estes chegaram efectivamente às pessoas a quem foram destinados.
“A disponibilidade sem responsabilização não é suficiente. Temos de responder à pergunta: o medicamento chegou à pessoa para quem foi destinado?”, questionou.
Segundo Sissoko, o próximo desafio será utilizar a informação gerada pela rastreabilidade para identificar rupturas de stock, corrigir falhas na distribuição e melhorar a responsabilização ao longo da cadeia de abastecimento.
A cerimónia enquadra-se nos esforços do sector da saúde para reforçar a disponibilidade de medicamentos e artigos médicos nas unidades sanitárias do país, contribuindo para a continuidade e melhoria da prestação de cuidados de saúde à população.
(AIM)
SNN/pc
