Maputo, 23 Ago (AIM) – Pelo menos 95 por cento dos transportadores interprovinciais de passageiros em Moçambique operam sem carta de condução de serviços públicos, documento que os habilita a exercer a actividade legalmente.
A informação foi avançada em Maputo, pela Polícia de Trânsito (PT) durante uma operação conjunta de fiscalização com o Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO).
A fiscalização decorreu no Terminal Interprovincial da Junta, na cidade de Maputo, e no Posto de Fiscalização de Nhongonhane, na província de Maputo, onde as autoridades constataram que a maioria dos motoristas não possui habilitações adequadas para transportar passageiros.
O Chefe do Departamento da PT no Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Cassamo Ali, explicou que a operação revelou falhas graves.
“Fomos constatar que dos que estão aqui a exercer a atividade de transporte de passageiros não têm carta compatível”, disse.
Já o Presidente do Conselho de Administração do INATRO, Nelson Nunes, confirmou que a suspeita inicial da equipe se confirmou:
“De facto, a teoria inicial da equipe, de que há deficiência de fiscalização nos postos, foi provada. Todas as viaturas que mandamos interpelar para fiscalização não estavam em condições para exercer a atividade de transporte de passageiros.”
Entre as irregularidades apontadas estão a falta de cartas compatíveis, ausência de licença para o exercício da atividade, ausência da lista nominal de passageiros, bem como seguros e inspeções em falta.
Nunes também apelou às estruturas municipais a assumirem maior responsabilidade no processo de emissão de licenças, depois de ter recebido queixas de associações de transportadores.
“Enquanto os associados apostam no uso dos terminais, a estrutura local, concretamente os municípios, não acompanham este tipo de atividades, dificultando o controlo das terminais paralelas”, afirmou.
Face às irregularidades, a Polícia de Trânsito e o INATRO sensibilizaram os transportadores a regularizarem as suas cartas e licenças. As autoridades também apelaram aos passageiros para verificarem a lotação das viaturas antes de viajar.
A operação ocorre quatro dias depois do acidente fatal que matou 36 pessoas nas províncias de Maputo e Gaza, reforçando a urgência de medidas mais rigorosas no setor.
(AIM)
Fernanda da Gama (FG)/PC
