Transporte semicolectivo de passageiros (Chapa)
Matola, 11 Ago (AIM) ‒ A Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) afirma que não reconhece os transportadores que decidiram paralisar a actividade na zona metropolitana de Maputo, na manha desta segunda-feira (11) pois não são filiados à agremiação e nem as associações que operam na rota Maputo e Matola.
A intervenção da FEMATRO surge na sequência de informações postas a circular fim-de-semana comunicando a paralisação da actividade de transporte público urbano para esta segunda-feira.
“A FEMATRO e seus membros que operam na zona metropolitana de Maputo informa que estes anúncios, que aparecem em mensagens sem rosto, não são do conhecimento da FEMATRO e seus membros”, disse o Presidente da Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), Castigo Nhamane, em conferência de imprensa.
Por isso, Nhamane apela aos transportadores para ignorarem a greve que considera de “agitação”, alertando que a FEMATRO e seus membros têm portas abertas para todos os interessados na actividade de transporte de passageiros e juntos encontrarem soluções para os desafios do sector junto do governo.
Aliás, a organização reuniu, semana última com o governo para a resolução das preocupações referidas.
“Assumimos que há preocupações muito antigas no sector do transporte. Na semana passada a FEMATRO esteve reunida com o Ministro dos Transportes e Logística para apresentarmos as nossas preocupações e garantiram que esta semana teremos resposta. E, por isso, voltou a desincentivar a paralização”, disse.
“O método de paralisar a actividade não é, para nós o ideal, porque isto só mancha a nossa actividade, só prejudica os nossos transportados, pois o transporte é o garante do dia-a-dia para as actividades de todos os nossos concidadãos e não é ético que, do nada, os nossos passageiros acordem de manhã vão à rua e não encontrem transporte”.
O presidente da FEMATRO esclarece que existem transportadores não filiados às associações de transporte, embora estejam licenciados para a actividade, pois “quem atribui a licença não são as associações e nem a Federação, mas sim o Governo”, pelo que “alguns transportadores que estão nestas paralisações, até podem ser devidamente licenciados, mas não filiados às associações”.
Assim, a FEMATRO apela “aos municípios e ao governo, para que se façam aos terminais e às paragens para resolver este tipo de comportamento” dos quais se distancia e repudia apelando “aos colegas para desistirem destas práticas que só prejudicam os nossos transportados e a nossa actividade”.
Questionado sobre as preocupações que apoquentam a FEMATRO, Nhamane diz que “são várias, desde os custos operacionais que são extremamente elevados apesar do governo ter feito revisão em baixa do preço dos combustíveis por duas vezes”, alertando que os custos operacionais não se resumem ao combustível.
“Estamos a falar de vários consumíveis que fazem parte destes custos e, com a revisão em baixa dos combustíveis e da portagem, não significa que o transportador neste momento esteja a ganhar o que matematicamente devia”, embora a redução do preço dos combustíveis tenha sido recebida “com grande satisfação”, acrescentou.
Outra preocupação apresentada ao governo é a degradação das vias de acesso, que contribui para a degradação dos meios; o congestionamento que para além do desgaste elevado dos veículos cria stress ao motorista e, na visão da FEMATRO, se houvesse faixas dedicadas para o transporte de passageiros, os meios produziriam mais do que o conseguem hoje.
A FEMATRO diz estar a sensibilizar a todos os transportadores não licenciados a o fazerem e se filiarem as associações a fim de canalizarem as suas preocupações, até porque “todo o ganho que a FEMATRO consegue nas negociações com o governo, beneficiam a todos”.
A fonte concluiu apelando aos grevistas a abdicarem das paralisações e a mostrarem o rosto, apelando, igualmente, “que as pessoas que não queiram trabalhar não obriguem os outros a não trabalharem. Aquele que não quer fazer o trabalho que arrume o seu meio, em casa, porque o que está a acontecer é que [alguns] vão à estrada, bloqueiam os outros e ameaçam furar pneus.
Até ao início da tarde de hoje, as zonas afectadas pelas paralisações de transportadores são Machava km 15 no município da Matola e Praça dos Combatentes, vulgo Xikhelene, no município de Maputo.
(AIM)
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