Presidente da República, Daniel Chapo, discursa na abertura da 3ª Conferência da Biodiversidade Marinha na cidade da Beira, província de Sofala
Maputo, 03 Set (AIM) ‒ O presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou hoje (03), na cidade da Beira, o compromisso do governo na conservação da biodiversidade e gestão sustentável dos recursos marinhos através da implementação rigorosa de políticas ambientais mais adequadas à realidade actual.
Chapo manifestou o compromisso na abertura da 3ª Conferência da Biodiversidade Marinha, evento de dois dias, que junta especialistas e actores da conservação do ambiente e particularmente dos ecossistemas marinhos.
Explicou que a realização do evento na cidade da Beira, em especial no Chiveve, “não é escolha fortuita ou de simples conveniência logística”, mas um reconhecimento do “símbolo de resiliência e de soluções baseadas na natureza”.
“Como é do nosso conhecimento, o Chiveve tornou-se num marco de infra-estrutura verde e de adaptação baseada na natureza, melhorando a drenagem, reduzindo riscos de cheias, criando espaços públicos de qualidade e zonas verdes. (…) Chiveve é um exemplo de como nós podemos ter soluções naturais bem planeadas e que protegem vidas e dinamizam a economia local”, disse.
Destacou ainda, o contínuo compromisso de Moçambique com instrumentos internacionais de conservação da biodiversidade, “que orientam a acção nacional”.
“Moçambique mantém firme o seu compromisso com a Convenção da Biodiversidade, sobretudo com a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). Cumprimos a rota traçada pelas Metas de Aichi e actualizámos a ambição com o Quadro Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, que aponta para a conservação como um dos pontos principais para todos nós conservarmos pelo menos 30% da terra e do mar até 2030”.
Sublinhou que o governo traçou como prioridade a garantida de “uma Economia Azul sustentável, inclusiva e geradora de emprego, principalmente para a juventude e a mulher moçambicana” e, por isso, “a Estratégia de Desenvolvimento da Economia Azul orienta o investimento responsável em cadeias de valor costeiras, promove inovação e abre oportunidades para jovens e mulheres”.
Chapo reconheceu o papel da ciência na disponibilização de dados e evidências, resultantes de investigação, o que permite a monitoria contínua, educação e participação pública da população.
Por isso, manifestou desejo de ver mais envolvimento da academia na conservação da biodiversidade.
“Queremos escolas, universidades e comunidades próximas do mar como laboratório vivo, formando cidadãos capazes de inovar e de cuidar dos recursos do seu ambiente natural”.
A actuação da academia, segundo Chapo, deve cruzar o conhecimento científico ao “conhecimento tradicional”.
Referiu que uma educação ambiental que não deve se limitar ao conhecimento dito científico resultante da investigação académica, mas sim na interacção permanente com as nossas comunidades locais que vivem do mar.
É preciso cruzar as duas dimensões do conhecimento que ambas têm neste processo de conservação da biodiversidade, pois os dois, local e científico, são valiosos e complementam-se mutuamente.
Por sua vez, o Presidente do Conselho de Administração da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), Carlos dos Santos, que organiza o evento, sublinhou que “a presença do Presidente da República confirma a centralidade da biodiversidade marinha para o desenvolvimento sustentável do país”.
Dos Santos destacou que a conferência “nasceu como uma plataforma anual que liga a ciência, políticas públicas e sociedade, no âmbito do projecto Futuro Azul que se afirma como um espaço inclusivo e orientado para resultados.
A 3ª Conferência da Biodiversidade Marinha é organizada pela BIOFUND em parceria com a Wildlife Conservation Society (WCS) e tem por objectivo discutir quatro temáticas, nomeadamente, a adaptação baseada em ecossistemas, áreas de conservação marinha, biodiversidade costeira e marinha e educação ambiental.
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