Maputo, 03 Set (AIM) – Moçambique e China celebram 50 anos de relações diplomáticas, com o comércio bilateral a atingir 5,18 mil milhões de dólares em 2024.
Durante meio século, os investimentos chineses envolveram dezenas de projectos em infra-estruturas, saúde, educação e agricultura, consolidando a posicao deste país asiático como o segundo maior parceiro comercial de Moçambique.
A China aplica tarifa zero a produtos manufacturados em Mocambique e implementados protocolos fitossanitários para feijão-bóer, caju e macadâmia, e desenvolvidas iniciativas estratégicas nos sectores energético e agrícola, incluindo o maior projecto de plantação de arroz do país, o Projecto Wanbao.
A informação foi partilhada esta quarta-feira (03) pela Embaixadora da Chinaacreditada em Moçambique, Zheng Xuan, no seminário “50 Anos de Cooperação entre Moçambique e China: Conquistas, Desafios e Perspectivas”, promovido pela Universidade Joaquim Chissano, onde destacou que as relações evoluíram de uma ligação baseada no respeito mútuo para uma parceria estratégica global.
Na ocasião, Zheng sublinhou que se trata de uma parceria, formalizada em 2016, orientada para benefícios recíprocos e desenvolvimento sustentável, tendo mencionado que no campo das infra-estruturas, dezenas de projectos emblemáticos construídos com apoio chinês transformaram o panorama socioeconómico moçambicano.
A Ponte Maputo-KaTembe, o Aeroporto de Xai-Xai, a Estrada Circular de Maputo e, em breve, o Centro Cirúrgico Nacional são exemplos de cooperação pragmática que contribuíram para a mobilidade, o comércio interno e a melhoria dos serviços de saúde.
Aliás, acrescentou que a cooperação agrícola avançou com a criação do primeiro centro de demonstração agrícola e a implementação do Projecto Wanbao, aumentando a produtividade de arroz e ajudando a combater a fome.
Por outro lado, o sector energético beneficiou da exploração de gás natural, impulsionando Moçambique para o mercado internacional da energia.
A componente humana e cultural, também mereceu um destaque fundamental pelo seu fortalecimento. Desde 1976, 25 equipas médicas chinesas já trabalharam no país, enquanto cerca de 10 mil jovens moçambicanos receberam formação em língua chinesa e capacitação profissional através de bolsas de estudo, escolas técnicas e do Instituto Confúcio na Universidade Eduardo Mondlane.
O Centro Cultural Moçambique-China, o maior construído com assistência chinesa em África, tornou-se referência no intercâmbio cultural, acolhendo cerca de 100 actividades nos últimos dois anos.
Zheng sublinhou que a política chinesa para África se mantém estável e de longo prazo, sendo orientada pelos princípios de sinceridade, amizade e benefícios mútuos, enfatizados pelo Presidente Xi Jinping nas suas cinco visitas ao continente.
A diplomata acrescentou que, mesmo perante mudanças no cenário internacional, a China continuará a priorizar a cooperação com África, promovendo a implementação das 10 Acções dos Parceiros do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) e a construção de uma comunidade com futuro partilhado.
A embaixadora reafirmou o princípio de “uma só China” como base política das relações com 183 países, incluindo Moçambique.
Apelou ainda ao reforço do multilateralismo, da estabilidade internacional e da defesa da ordem global com a ONU no seu centro.
“China e Moçambique são verdadeiros amigos e irmãos, que se apoiaram mutuamente nas lutas anticoloniais e anti-imperialistas, conquistando a independência nacional. Esse passado partilhado dá ainda mais valor à unidade nacional e à integridade territorial”, afirmou Zheng Xuan.
A diplomata acrescentou, por último, que o compromisso de ambos os países é “injectar certeza e estabilidade num mundo de turbulência e contribuir para a paz e o desenvolvimento global”.
(AIM)
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