Porto de Maputo
Maputo, 29 Mar (AIM) – O país está a beneficiar de uma poupança anual estimada em 20 milhões de dólares norte-americanos, resultante da política de tarifa zero aplicada pela China às exportações moçambicanas.
Os dados foram revelados há dias pela embaixadora da China acreditada em Moçambique, Zheng Xuan, em entrevista à AIM.
A diplomata destacou que esta medida, em vigor desde Dezembro de 2024, representa um marco nas relações económicas bilaterais e um impulso significativo para o crescimento económico nacional.
“Em 2025, a política de isenção de tarifas permitiu a Moçambique poupar cerca de 140 milhões de renminbis. Trata-se do princípio de benefícios comuns e de ganhos mútuos”, disse Zheng.
Segundo explicou, a iniciativa enquadra-se numa política económica de longo prazo orientada para o desenvolvimento sustentável e partilhado entre a China e os países africanos.
A política de tarifa zero, que começou a ser gradualmente implementada nos últimos anos e foi consolidada para Moçambique em 2024, elimina tarifas aduaneiras sobre exportações moçambicanas para o mercado chinês.
Este facto permite que produtos nacionais entrem no maior mercado consumidor do mundo com maior competitividade, impulsionando as exportações.
De acordo com a embaixadora, os impactos económicos são claros e abrangentes. “Um país com tarifa zero na China ganha acesso preferencial ao maior mercado consumidor do mundo, impulsionando exportações de ‘commodities’ e produtos industrializados”, referiu.
Acrescentou que as vantagens incluem o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), criação de empregos, redução de desequilíbrios comerciais, atracção de investimento directo estrangeiro e facilitação da transferência de tecnologia.
A diplomata enfatizou ainda que a eliminação de tarifas aduaneiras contribui directamente para o aumento do volume de exportações moçambicanas, ao mesmo tempo que ajuda a corrigir o défice comercial com a China.
“A modalidade económica aplicada a Moçambique também permite a correcção de défices comerciais, diminuindo o peso do desequilíbrio na balança comercial”, explicou.
Paralelamente, Zheng Xuan destacou a aprovação, este ano, do 15º Plano Quinquenal da China, instrumento estratégico que orienta as políticas económicas e externas do país.
Segundo afirmou, este plano reafirma o compromisso da China em continuar a apoiar o desenvolvimento económico de África, com Moçambique a assumir um lugar de destaque nas prioridades de cooperação bilateral.
O referido plano apresenta um alinhamento com as prioridades do Governo moçambicano, incidindo sobre sectores-chave como agricultura, comércio, infra-estruturas, recursos minerais e áreas conexas.
Segundo a visão chinesa, este alinhamento deverá potenciar novas oportunidades de investimento e reforçar a cooperação técnica e económica entre os dois países.
“Vamos envidar esforços para intensificar a cooperação bilateral com Moçambique, tendo em conta o seu potencial”, acrescentou a diplomata.
A cooperação económica entre Moçambique e China continua, assim, a evoluir para um modelo mais integrado e estratégico, com benefícios tangíveis para a economia nacional e perspectivas de crescimento sustentado a médio e longo prazo.
Segundo dados do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), países africanos com acesso de tarifa zero tendem a registar aumentos entre 10% e 30% nas exportações nos primeiros anos de implementação.
(AIM)
Paulino Checo /sg
