Crianças a busca de água. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 17 Set (AIM) ‒ Um grupo de seis organizações humanitárias que se dedicam às crianças em Moçambique, assinaram, hoje, em Maputo, um memorando de entendimento visando erradicar a violência contra menores.
Trata-se da ChildFund International, Plan International, Save the Children International, SOS Children’s Villages, Terre des Hommes e World Vision International.
O memorando surge no âmbito da plataforma “Aliança Juntando Forças pelas Crianças”, no qual os signatários pretendem capitalizar seu poder colectivo e alcance global para advogar por compromissos políticos renovados sobre os direitos da criança através da implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Falando instantes após a assinatura, a directora nacional da Save the Children, Ilaria Manuza, afirmou que mais do que rubricar um documento, o evento é a formalização de uma promessa e aliança das organizações envolvidas.
“O nosso objectivo é erradicar a violência contra as crianças, assegurando um futuro justo para todas. A aliança é uma prova do poder de colaboração. Unindo os nossos esforços podemos ir mais longe na promoção dos direitos da criança”, disse.
Já o director nacional da ChildFund, Harrisson Ruben, disse ser necessário reflectir sobre “o tipo de futuro que estamos a construir para essa criança”, pois “uma criança nascida hoje crescerá no mundo que estamos a criar agora”.
Por isso, cada uma das organizações trabalha e investe recursos para abordar os desafios das crianças, mas “nenhuma organização pode fazer isso sozinha”. Citou o provérbio africano que diz “se quer ir rápido, vá sozinho, se quer ir mais longe, vá acompanhado”.
O director nacional da Terre des Hommes, Paolo Massaro, reconhece que a missão não será fácil, entretanto, a experiência revela que a união possibilitará “benefícios enormes”.
Citou palavras do fundador da organização que representa, Edmond Kaiser, segundo as quais, “enquanto houver uma só criança faminta, doente, abandonada, infeliz ou a sofrer, seja quem for e esteja onde estiver, o movimento Terra dos Homens, criado para este fim, compromete-se a socorrê-la de forma imediata e completa, sem preconceitos políticos, religiosos ou raciais”.
Por sua vez, Cyprian Chawatana, director interino da World Vision, considera a aliança como sendo oportuna, pois acontece “numa altura em que enfrentamos uma combinação de desafios, cujos impactos incidem maioritariamente nas crianças”, destacando os choques climáticos, conflitos, pandemias e o custo de vida no contexto de incerteza.
Por se tratar de uma aliança global, Chawatana diz que o facto revela que “temos onde ir buscar modelos funcionais para criar um ambiente favorável, devendo “aprimorar os modelos já utilizados e com ousadia erradicar a violação dos direitos de milhares de crianças”.
Por seu turno, o director Interino da Plan International, Luís Paulo, classificou o acto “marcante na efectivação dos objectivos comuns das organizações signatárias, que têm como denominador comum a criança, os seus direitos e o seu bem-estar”.
Sublinhou que “há muito a fazer”, pois, “segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), as crianças constituem a metade da população moçambicana, e porque a aliança já existe a nível global e regional, significa que “estamos relativamente atrasados na sua implementação em Moçambique, mas nunca é tarde, pois este é o momento oportuno, face aos desafios existentes na realização dos direitos da criança”.
Concluiu destacando a necessidade de todos responsabilizarem-se pelos compromissos assumidos, que devem, efectivamente, ter a criança como o centro e o foco e beneficiária participante.
A aliança acontece numa altura em que as crianças, em Moçambique, enfrentam desafios relacionados com saúde, educação, pobreza e de outra ordem. Aliás, cerca de 77% das crianças moçambicanas vivem em situação de pobreza, de acordo com o relatório “Pobreza infantil multidimensional em Moçambique 2014/15-2022” do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
(AIM)
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