Microbanco Sólido promove secção de sensibilização no âmbito de Outubro Rosa. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 08 Out (AIM) ‒ Os Serviços de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM), a maior unidade sanitária de Mocambique, registam diariamente, seis a oito casos de cancro do colo do útero.
A informação foi avançada hoje, em Maputo, pelo enfermeiro do Serviço de Oncologia do HCM, Juvenal Dinis, a margem da sessão de sensibilização no âmbito do Outubro Rosa, mês de consciencialização sobre a temática, realizada pelo Microbanco Sólido.
A fonte informou que o cancro do colo do útero é o que mais gera mortalidade neste momento e, em segundo lugar o cancro da mama é o que mais dizima vidas no país.
“Estes números têm uma grande avalanche, tendo em conta o nosso país, a pobreza, e muitos dos casos vêm já em estado muito avançado e, por causa do tempo do rastreio, quando vão já é muito tarde”.
Usou da ocasião para apelar às mulheres a fazerem o rastreio do cancro da mama, assim como o cancro do colo útero, porque ambos os tipos de cancro são sempre relacionados”.
A fundadora da iniciativa Renascer, uma associação que lida com a luta contra o Cancro de mama, Jujú Rombe, saudou o microbanco Sólido pela iniciativa que permite “todos nós sairmos a ganhar”, acrescentando a necessidade de as iniciativas acontecerem não só em Outubro, pois, em qualquer mês pode-se descobrir ter cancro.
“Estamos mesmo para lutar para que esta mentalidade mude um pouco e que todas as empresas possam incluir isto durante o ano todo (…). Uma das actividades da minha associação é bater portas em todas as empresas para que isto fique na consciência, a nível nacional, para beneficiar a quem não tem [cancro] hoje, mas que amanhã pode descobrir que tem”.
Com passagem por quase todo o país, Rombe constatou que “o que faz com que as pessoas morram pelo cancro é a falta de acesso ao tratamento” e, por isso, a associação renascer decidiu pedir apoio a várias empresas para montar centros de tratamento próximos da comunidade, cada vez mais necessários, numa altura em que a ideia de que só pode ter cancro quem tem 40 em diante, já mudou, pois, agora, mesmo um recém-nascido pode ter a doença.
“Já montamos [um centro de tratamento] no Hospital distrital de Nacala, que está a beneficiar Nacala e arredores, porque [antes], as pessoas tinham que ir à Nampula e desistiam logo na primeira quimioterapia, um tratamento difícil, até porque, quando acaba de sair do tratamento, a pessoa nem sequer consegue andar de chapa e por isso desiste”.
Assim, a associação pretende montar mais centros por todo o país para aproximar o tratamento às comunidades, almejando um centro de quimioterapia em cada distrito.
A representante do microbanco Sólido, que organizou o evento, Renalda Nhanala, destacou que a iniciativa da instituição financeira surge no âmbito da política de responsabilidade social e, pretende abraçar a causa do combate ao cancro “porque sem a saúde não há finanças”.
“Permitir que as pessoas tenham conhecimento, do que é o cancro de mama como também do colo de útero vai permitir que nós desenvolvamos não só as mulheres, não só os homens, mas todas as famílias moçambicanas, então, é por esse o motivo que nós estamos aqui a incentivar esse Outubro rosa”, concluiu.
(AIM)
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