Director nacional no Gabinete de Financiamento Climático do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, Albano Manjate
Maputo, 20 Out (AIM) – O Governo moçambicano prevê um investimento estimado em 80 mil milhões de dólares, para a implementação da Estratégia de Transição Energética.
O director nacional do Gabinete de Financiamento Climático do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, Albano Manjate, anunciou o facto esta segunda-feira na abertura da V edição do Seminário de Energia e Clima da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), evento que marca o início da Semana de Energia e Clima da CPLP, a decorrer de 20 a 24 de Outubro.
Manjate evidenciou “a importância da mobilização de financiamento e da acção coordenada” para o sucesso das políticas públicas, destacando que o financiamento climático é fundamental para sustentar a transição energética e o desenvolvimento económico.
“Financiar o clima é financiar o desenvolvimento. A Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025-2034 contribuirá para a implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento”, afirmou.
Na sua intervenção, a directora nacional de Energia, Marcelina Mataveia, afirmou que o encontro ocorre “num momento crucial em que o mundo atravessa uma transição energética, pretendendo impulsionar a redução das emissões de gases de efeito de estufa e promover um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo”.
“Para os países da CPLP, a transição energética não é apenas uma exigência global, mas uma oportunidade estratégica para transformar as nossas economias, fortalecer a resiliência climática e melhorar a qualidade de vida das nossas populações”, destacou.
Mataveia sublinhou que Moçambique tem vindo a reforçar o sector energético com planeamento e investimentos sustentáveis, incluindo a Lei da Electricidade (2022), a Estratégia de Transição Energética (2023), a Estratégia de Eficiência Energética e o Compacto de Energia no âmbito da Missão 300, que visa aumentar o acesso universal à electricidade na África Subsariana.
“Estamos na fase adiantada da produção do regulamento das concessões e da taxa de acesso universal. O Governo mantém o objectivo de garantir o acesso universal à energia até 2030”, explicou.
A directora reforçou a necessidade de infraestruturas resilientes às mudanças climáticas, afirmando:
“Estamos a desenvolver o sector de energia com infraestruturas que resistam às mudanças climáticas. Discutimos matérias sobre planeamento e financiamento, neste contexto em que pretendemos o acesso universal em 2030.”
Mataveia detalhou que o Governo dispõe de instrumentos de planificação, como a Estratégia Nacional de Electrificação, o Compacto de Energia e a revisão do Plano Director de Infraestruturas Eléctricas, essenciais para planear, buscar financiamentos e desenvolver projectos que aumentem a disponibilidade de energia.
“Uma das grandes prioridades é o acesso universal à energia até 2030, aliado à promoção do uso de energias renováveis. Temos vários recursos energéticos, renováveis e não renováveis, e estamos empenhados em levar energia aos principais centros de consumo”, acrescentou.
As soluções fora da rede (off-grid) têm assumido crescente importância, especialmente em zonas remotas. “Nos últimos tempos, estimamos que a participação destas soluções seja de cerca de 10% da taxa de acesso, sendo essencialmente energias renováveis que tornam a energia mais acessível para as comunidades rurais”, sublinhou.
A presidente da Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER), Mayra Pereira, apresentou o Roteiro de Cooperação 2030, descrito como “o primeiro instrumento de visão comum em matéria de energia e clima”, estruturado em quatro eixos prioritários: planeamento energético, liderança e capacitação, mobilização de financiamento e aceleração das transições energéticas.
“Mais do que um documento técnico, o roteiro é o resultado de um alinhamento político e estratégico entre os países unidos pela língua e pela ambição de um futuro sustentável”, reforçou. A Semana de Energia e Clima da CPLP, organizada pela ALER e pela Rede de Energias e Organizações Lusófonas (RELOP), reúne representantes governamentais,
