Alberto Buque, gestor de operações da empresa Proma Comercial
Nampula (Moçambique), 21 Out (AIM) – O Conecta Negócios, um projecto do governo moçambicano e implementado pelo Ministério das Finanças com o apoio do Banco Mundial, está a investir, desde 2021, cerca de 100 milhões de dólares norte-americanos para capacitar as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) na dinâmica dos mega-projectos nacionais.
O programa apoia iniciativas do sector privado para fortalecer as ligações empresariais e criar novas oportunidades de crescimento local. Também visa promover, capacitar e seleccionar de forma competitiva através do Fundo Catalítico para Inovação e Demonstração (FCID) as empresas para o acesso a subvenções que variam de 250 mil – 400 mil dólares, aplicados na expansão da capacidade produtiva, inovação e melhoria de gestão.
Os resultados da iniciativa já são visíveis no corredor logístico de Nacala, na província de Nampula, onde a empresa Proma Comercial, localizada no distrito de Ribaué, nas margens do rio Mecuburi, beneficiou de cerca de 400 mil dólares para a expansão das suas actividades agrícolas e produção de sementes.
A empresa, que inicialmente se dedicava apenas à venda de insumos, evoluiu para um modelo integrado de multiplicação de sementes e apoio técnico às comunidades locais.
Segundo o gestor de operações da empresa, Alberto Buque, falando no quadro de uma missão de supervisão em curso na província de Nampula, o financiamento permitiu construir uma barragem, instalar um pivô de irrigação e um armazém climatizado, essenciais para a conservação de sementes de primeira geração.
Actualmente, a Proma Comercial trabalha com cerca de 150 famílias fora da sua unidade de produção e com mais de 40 famílias no seu campo demonstrativo.
“O nosso objectivo não era apenas expandir o negócio, mas também capacitar as comunidades à nossa volta. Com a assistência técnica gratuita, estas famílias estão a aprender, na prática, como produzir com qualidade e eficiência, o que aumenta a sua renda e as suas perspectivas de futuro,” explicou Buque.
O impacto estende-se à criação de emprego, tendo a empresa começado com cerca de 40 colaboradores e hoje possui perto de 200 permanentes.
A produção anual de sementes ultrapassa 900 toneladas, incluindo milho, feijão vulgar, feijão nhemba e soja. Parte significativa desta produção é canalizada às empresas que prestam serviços a megaprojectos como a exploração de rubis em Montepuez e a construção da ferrovia de Nacala.
Outro caso de sucesso é a empresa AMC Construções, sedeada na cidade de Nampula, que beneficiou de um financiamento e está a ganhar relevância na região norte. A empresa, investiu na aquisição de equipamentos de perfuração de água, máquinas de estudos geofísicos e camiões de suporte para expandir as suas operações.
“Este financiamento permitiu dar um salto nas nossas operações. Aumentamos as instalações da empresa, adquirimos mais equipamentos para expandir nossos negócios. Estamos a crescer exponencialmente e aumentar o número de empregos”, assegurou Mussagy Cebola, director-geral da empresa.
Joel Sauane, especialista de desenvolvimento empresarial do projecto Conecta Negócios e ponto focal da ADIN, disse que o programa pretende financiar mais de 600 MPMEs até 2027, actuando em três componentes principais: fortalecimento das empresas, desenvolvimento de infra-estruturas e capacitação institucional.
“Só em 2023, lançámos janelas de financiamento às quais concorreram 350 empresas. Destas, 26 foram seleccionadas e financiadas, incluindo a Proma Comercial. O nosso objectivo é fortalecer o tecido empresarial nacional e garantir que as MPMEs tenham um papel activo nas cadeias de valor dos megaprojectos,” afirmou Sauane.
O projecto está a ser implementado em sete províncias: Tete, Manica, Sofala e Zambézia, na região centro, e Nampula, Cabo Delgado e Niassa, no norte do país.
Para além do financiamento, o Conecta Negócios oferece formação, apoio à certificação, acesso a mercados, digitalização de serviços e suporte à melhoria do ambiente de negócios.
(AIM)
Paulino Checo /sg
