Maputo, 02 de Nov de 2025 (AIM) – A província de Nampula, norte de Moçambique, está a assistir a um movimento ambicioso de restauração de ecossistemas degradados pela expansão dos megaprojectos.
À frente deste esforço está a empresa PCF Consultorias e Serviços, liderada por Jamiso Ataba, gestor de projectos que transforma o impacto ambiental em oportunidade de regeneração.
Em parceria com a Corredor Logístico de Nacala (CLN), o Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS) a Kenmare Resources e o programa Conecta Negócios, a empresa está a devolver vida às paisagens afectadas pelas linhas férreas e pela mineração no norte de Moçambique.
Ao longo do corredor logístico que liga o Porto de Nacala-Velha à zona carbonífera de Matize, atravessando o Malawi e a província de Tete, mais de 100 mil mudas já foram produzidas e plantadas em áreas degradadas. Estas iniciativas visam recuperar solos, repor espécies nativas e fortalecer as relações entre megaprojectos e comunidades locais.
“Quando há movimentação de máquinas ou acidentes ferroviários, somos chamados a repor os ecossistemas degradados. Temos restaurado áreas ao longo da ferrovia e apoiado as comunidades vizinhas com plantio de mudas e formação técnica.” explica Jamiso Ataba em entrevista recente à AIM.
O objectivo da empresa é triplicar a produção anual para 150 mil mudas, dobrar o número de trabalhadores sazonais para 50 e aumentar o quadro fixo de trabalhadores de 10 para 16 funcionários.
A modernização inclui um sistema inteligente de rega movido a energia solar, estufas controladas e pomares locais para produção de fruteiras. A PCF Consultorias e Serviços emprega actualmente 10 trabalhadores fixos e 25 sazonais, números que deverão crescer graças ao financiamento do Conecta Negócios.
“Com este apoio, queremos modernizar o viveiro, aumentar a produtividade e atender melhor os nossos clientes. A nossa meta é tornar a empresa mais competitiva e sustentável” afirma Ataba.
Os contratos com a CLN abrangem a produção de mudas, restauração de áreas degradadas e gestão de viveiros dentro das instalações da empresa. A actuação da PCF estende-se também à Kenmare, em Topuito, no distrito de Larde, na condição de sub-contratada, onde a empresa tem participado em projectos de recuperação ambiental em zonas afectadas pela mineração de areias pesadas.
Já com o FNDS, o foco está no fornecimento de mudas e assistência técnica às comunidades agrícolas.
O volume de negócios da empresa já ultrapassou os 500 mil dólares, impulsionado pelas parcerias com megaprojetos e entidades públicas. Contudo, o impacto social é igualmente relevante. A PCF tem desenvolvido acções de apoio comunitário, desde a doação de equipamentos desportivos para clubes locais até à planificação de pontos de abastecimento de água potável.
“A relação com as comunidades é positiva”, sublinha Ataba.
Segundo a fonte, o compromisso com as comunidades vai além da restauração ambiental, há um investimento directo no fortalecimento dos pequenos produtores agrícolas ao longo do corredor logístico. A empresa presta assistência técnica para aumentar a produtividade e diversificar as fontes de rendimento rural, abordagem que confere ao projecto uma dimensão humana, promovendo sustentabilidade económica e ecológica em simultâneo.
No horizonte, Ataba vislumbra um futuro de expansão e reconhecimento. “Queremos que, com este financiamento, a PCF possa concorrer em pé de igualdade com as grandes empresas do ramo”, afirma.
(AIM)
Paulino Checo
