O distrito de Mossuril, na província de Nampula, norte de Moçambique, continua a viver sob os escombros deixados pelos três ciclones tropicais que, entre Dezembro de 2024 e Março de 2025, designadamente, o Chido, Dikeledi e o Jude, devastaram a região.
Passados vários meses, a reconstrução avança a passos lentos, e as feridas abertas pelos desastres naturais permanecem visíveis em todos os sectores da vida local.
O administrador distrital, Élio Rareque, em entrevista recente à AIM, descreveu uma realidade de luta e resistência, marcada por destruição massiva, mas também por resiliência e esperança.
“Tivemos três ciclones praticamente em simultâneo, em Dezembro, Janeiro e Março. Foram destruídas mais de 25 mil infra-estruturas públicas e privadas, total ou parcialmente”, revelou Rareque, sublinhando que o principal desafio do Governo distrital é a recuperação das infra-estruturas básicas.
Entre os edifícios destruídos contam-se mais de 300 salas de aula, das quais 56 são convencionais, deixando milhares de crianças sem condições adequadas de ensino.
Na área da saúde, a situação é igualmente grave, onde dos 12 centros de saúde existentes, a maioria ficou severamente danificada. “O grande desafio é mesmo a recuperação destas infra-estruturas”, reforça o administrador.
No sector do turismo, Mossuril viu-se privado de uma das suas principais fontes de rendimento. “Mais de nove estabelecimentos turísticos foram severamente atingidos pelos ciclones”, lamentou Rareque, lembrando que este sector é vital para o desenvolvimento económico local, dada a proximidade com a histórica Ilha de Moçambique.
A agricultura, principal sustento da população, foi igualmente devastada. Mais de 13 mil hectares de culturas foram destruídos, deixando os camponeses sem meios de subsistência imediatos.
Contudo, Rareque destaca que o povo de Mossuril não se deixou abater. “O nosso povo é resiliente e trabalhador. Apesar da destruição, não temos bolsas de fome. Há uma boa produção agrícola para esta época”, assegurou, acrescentando que o distrito ainda consegue fornecer parte da sua produção à Ilha de Moçambique e Nacala Porto.
De acordo com a fonte, o processo de reabilitação das infra-estruturas públicas já começou, ainda que de forma gradual. O Centro de Saúde de Mossuril-Sede encontra-se em fase de reabilitação e deverá ser entregue até ao final deste ano. Paralelamente, estão a ser substituídos equipamentos hospitalares destruídos, como o aparelho de raio-x e o demograma.
“Já recebemos confirmação de que até ao final de Outubro teremos um novo aparelho de raio-x, e estamos a trabalhar com a Direcção Provincial de Saúde para repor o demograma”, adiantou o administrador.
Mesmo com uma redução drástica da produção agrícola, o distrito mantém níveis estáveis de segurança alimentar. A Administração tem contado com o apoio do Serviço de Actividades Económicas, que fornece sementes e assistência técnica aos camponeses, incentivando-os a retomar
(AIM)
Paulino Checo
