Especialista de conteúdo local da companhia, Juma Malindasse
Vilankulos (Moçambique), 29 Nov (AIM) – A petrolífera sul-africana Sasol, que explora gás natural nos campos de Pande e Temane, na província de Inhambane, sul de Moçambique, afirma que vai aumentar substancialmente os seus gastos com empresas moçambicanas ou sedeadas nas zonas onde operam.
A decisão surge numa altura em que o projecto “Mais Oportunidades”, implementado pelo Ministério das Finanças com o apoio do Banco Mundial, está a injectar cerca um milhão de dólares na capacitação das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs).
A iniciativa visa reforçar o acesso a oportunidades económicas e fortalecer a capacidade das empresas locais para competirem e colaborarem de forma mais efectiva com os mega-projectos em curso no país.
A garantia foi dada pelo especialista de conteúdo local da companhia, Juma Malindasse, em entrevista à AIM, partilhando a abordagem da empresa sobre o conteúdo local.
“A nossa aposta é dar maior primazia e prioridade nas nossas operações ao gasto com empresas moçambicanas e que têm maioritariamente sócios moçambicanos. A Sasol vai aumentar gastos com empresas nacionais”, disse Malindasse.
Segundo Malindasse, no âmbito do Acordo de Produção de Petróleo (PPA), a empresa já adjudicou 13 pacotes de serviços orçados em 20 milhões de dólares a empresas nacionais, a maioria das quais baseadas em Inhambane.
Já ao abrigo do Acordo de Partilha de Produção (PSA), cerca 83 por cento dos contratos, equivalentes a 211 milhões de dólares, foram igualmente atribuídos a operadores moçambicanos.
“Através do mecanismo set-aside do MERIC, que reserva uma parte dos contratos exclusivamente para empresas nacionais, nove contratos foram destinados integralmente a empresas moçambicanas”, salientou.
Segundo a fonte, a Sasol quer ir ainda mais longe, começando por projectos concretos de produção local. Um exemplo é a iniciativa que pretende pôr fim à importação dos uniformes utilizados na empresa.
“Temos neste momento um projecto de produção de uniformes. Actualmente os nossos uniformes vêm de fora e queremos que esses uniformes sejam fornecidos por empresas locais. Se estiverem baseadas em Inhambane, melhor ainda e isso vai criar empregos”, vincou, recordando que o concurso para este projecto está aberto, mas adverte que a empresa que for adjudicada deverá produzir localmente e não importar.
De acordo com a empresa, o Plano de Conteúdo Local (PCL) da Sasol será estendido para além de 2025, para assegurar novas oportunidades para as MPMEs.
A decisão resulta do desempenho expressivo alcançado desde a sua implementação, destacando que, o número de empresas moçambicanas na cadeia de fornecimento triplicou, e só na província de Inhambane os gastos superaram cinco vezes o valor inicialmente planificado, para atingir 14 milhões de dólares.
“Excluindo componentes altamente especializadas ainda inexistentes no mercado nacional, 90% das despesas operacionais regulares da Sasol são com empresas moçambicanas, especialmente nos sectores de transporte, logística e catering”, vinca.
O impacto das acções da empresa estende-se à formação profissional e à capacitação empresarial, com um investimento de 5,5 milhões de dólares na formação, tendo beneficiado cerca de 600 trabalhadores, a maioria dos quais provenientes das comunidades próximas às operações.
No ambito de desenvolvimento empresarial, a Sasol investiu três milhões de dólares em capacitação, avaliando lacunas de gestão e conformidade em dezenas de empresas locais. “Algumas MPMEs não tinham organograma, contabilidade organizada ou regulamentos de conformidade. Precisávamos de capacitá-las para que possam cumprir padrões internacionais”, disse.
A empresa também opera um fundo de apoio às MPMEs em parceria com o Banco Comercial de Investimento (BCI), com para alavancar as empresas, oferecendo condições de crédito mais acessíveis. No entanto, persistem desafios para os desembolsos, situação que a empresa se compromete a desbloquear nos próximos meses.
Refira-se que o projecto Mais Oportunidades realizou, há dias, em Vilankulos, um workshop sobre as oportunidades das PME’s na abordagem sobre Conteúdo Local, Economia Azul e Marketing Digital.
Durante o evento, os gestores do projecto partilharam dados que indicam que, nas janelas de concurso das subvenções lançadas pelo Mais Oportunidades, a província de Inhambane submeteu um total de 115 projectos nas áreas de agronegócio, construção civil e turismo.
Deste número, apenas 42 passaram à primeira fase de avaliação, enquanto os restantes foram desclassificados por incumprimento dos requisitos, factor que evidencia as lacunas existentes na estrutura interna das MPME’s locais.
(AIM)
Paulino Checo/ sg
