Maputo, 26 de Dez (AIM) – O Governo moçambicano acredita que o país poderá dar passos para atingir a autossuficiência em arroz nos próximos três a quatro anos, caso consiga aumentar a produção nacional em cerca de 50 mil toneladas por ano.
De acordo com dados do banco central, Moçambique importou cerca de 441 milhões de dólares norte-americanos em arroz em 2024, um valor recorde, e aproximadamente 38,8 por cento superior ao de 2023 que se fixou-se em 317 milhões de dólares.
A convicção foi partilhada hoje pelo Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, em entrevista concedida à margem da monitoria aos estabelecimentos comerciais realizada no âmbito da quadra festiva, na província de Maputo.
Segundo o governante, Moçambique reúne já condições técnicas, agroclimatéricas e humanas para reduzir de forma significativa a dependência das importações de arroz, actualmente estimadas em cerca de 600 mil toneladas por ano.
“Se nós conseguirmos aumentar a nossa produção de arroz em cerca de 50 mil toneladas por ano, nós conseguimos daqui a três, quatro anos ser suficientes em arroz”, afirmou.
António Grispos explicou que a produção nacional oscila actualmente entre 100 a 150 mil toneladas anuais, face a um consumo global que ronda acima de 600 mil toneladas.
“Se nós fizermos isso, em quatro anos nós temos 200 mil toneladas de arroz. Com aquilo que é a produção de 100 mil toneladas actual, nós já estamos quase autossuficientes. Já há investidores que garantem atingirem esses níveis”, disse.
Entre os projectos estratégicos em curso, destacou o Centro Agro-Industrial de Chókwè (CAIC), que poderá alcançar uma produção de cerca de 100 mil toneladas de arroz ou mais, bem como investimentos de empresas do Vietname e da China, com destaque para a Baixa do Limpompo em Xai-Xai, na província de Gaza e no distrito de Nicoadala, provincia da Zambézia, e a zona Centro do País.
“Temos capacidades agroclimatéricas para isto, temos terras aráveis, temos mão-de-obra suficiente. O que é preciso é um projecto consistente e organizado”, sublinhou.
O governante abordou igualmente o desafio da produtividade agrícola, sobretudo no milho, cultura base da dieta nacional, porém, reconhecendo que os níveis de rendimento por hectare ainda são bastante reduzidos com indicador médio a volta de 0,8 toneladas por hectare.
“O milho é uma cultura base do moçambicano. Todas as províncias produzem milho”, afirmou,
Em comparação, países da região como o Zimbabué e a África do Sul, de acordo com a fonte, conseguem produzir entre 7 e 11 toneladas por hectare, graças ao uso de sementes melhoradas, mecanização e tecnologias modernas, apontando a adopção destas práticas como essencial.
“Adoptar uma semente melhorada, uma tecnoprodução mecanizada, para que os nossos indicadores se assemelhem àquilo que acontece noutros países”, defendeu.
O Secretário de Estado destacou ainda que, só o abandono da enxada de cabo curto já é uma inovação tecnológica de impacto, sublinhando a necessidade de introdução de tecnologias resilientes às alterações climatéricas, fertilizantes e maior assistência técnica aos produtores.
Segundo o governo, além do impacto na segurança alimentar, a aposta no arroz e no milho poderá reduzir significativamente a factura de importações e gerar emprego.
“Em vez de nós importarmos, se tirarmos isso da produção nacional, imagina o que é que nós poupamos em termos de divisas”, afirmou, garantindo que só assim o país sairá de uma economia de serviços para uma economia produtiva, de criação de riqueza e de geração de empregos.
(AIM)
Paulino Checo/
