Directora dos Serviços de Saúde da Cidade de Maputo, Paloma Maripiha, fala em conferência de imprensa
Maputo, 07 Jan (AIM) – A Direcção dos Serviços de Saúde da Cidade de Maputo reafirmou esta quarta-feira (07) a sua abertura à fiscalização das unidades sanitárias, sublinhando, no entanto, que o exercício dessa prerrogativa deve respeitar os profissionais de saúde, os utentes e o funcionamento normal das unidades.
A reacção surge na sequência de um desentendimento ocorrido na última segunda-feira (05), no Centro de Saúde do Zimpeto, envolvendo o director daquela unidade sanitária e o deputado da Assembleia da República pela bancada do Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), Ivandro Massingue, durante uma acção de fiscalização que gerou tensão e chamou a atenção dos utentes presentes.
Falando hoje em conferência de imprensa, a directora dos Serviços de Saúde da Cidade de Maputo, Paloma Maripiha, explicou que o sector decidiu pronunciar-se publicamente com o objectivo de salvaguardar a dignidade dos profissionais de saúde, das unidades sanitárias e dos doentes.
“A fiscalização é um direito legítimo e contribui para a melhoria dos serviços públicos. Contudo, deve ser realizada de forma adequada, com identificação formal e contacto prévio com o responsável da unidade, de modo a evitar constrangimentos ou situações de intimidação”, afirmou Maripiha.
A responsável alertou que atitudes agressivas ou desrespeitosas, nomeadamente empurrões ou gritos dirigidos a profissionais na presença de doentes, fragilizam o ambiente de trabalho e podem comprometer a confiança dos utentes nos serviços de saúde.
“Quando um profissional de saúde é desrespeitado, todos nós nos sentimos desrespeitados”, frisou.
Maripiha recordou que os profissionais de saúde e os utentes fazem parte do mesmo povo que elege os deputados, defendendo que a actuação dos representantes eleitos deve pautar-se por respeito, cordialidade e observância das normas institucionais, mesmo no exercício da fiscalização.
A directora destacou ainda que o Centro de Saúde do Zimpeto é uma das unidades mais movimentadas da cidade de Maputo, assistindo, em média, cerca de 700 pacientes por dia, incluindo utentes provenientes de outros distritos.
“Durante o último fim-de-semana, registámos situações em que alguns pacientes aguardaram atendimento por mais de três horas, o que demonstra a elevada pressão sobre os nossos profissionais”, acrescentou.
Questionada sobre medidas para evitar a repetição de incidentes semelhantes, Maripiha apontou a necessidade de uma abordagem institucional, incluindo a comunicação formal do caso à Assembleia da República, com vista ao reforço da ética, do protocolo de fiscalização e da relação entre os deputados e as unidades sanitárias.
Na mesma conferência, a dirigente abordou ainda a problemática da vandalização e dos roubos em unidades sanitárias da cidade, referindo furtos recentes de bombas de água, cabos eléctricos e equipamentos médicos essenciais, que afectaram o funcionamento normal de vários centros de saúde e hospitais.
“No dia 25 de Dezembro, registámos roubos de cabos eléctricos e de bombas de água em vários centros de saúde, incluindo no distrito de Campuconha. Este tipo de actos prejudica directamente o atendimento aos pacientes”, disse.
Maripiha apelou à população para a protecção das unidades sanitárias, sublinhando que se trata de bens públicos sensíveis e indispensáveis à prestação de cuidados de saúde.
“Não podemos permitir que a vandalização dos centros de saúde comprometa a assistência a quem dela necessita”, concluiu.
(AIM)
SNN / sg
