Transbordo do rio Umbelúzi condiciona transporte de pessoas e bens
Boane (Moçambique), 14 Jan (AIM) – O transbordo do rio Umbelúzi, no distrito de Boane, província de Maputo, continua a condicionar gravemente a travessia na ponte de Mazambaneni, deixando milhares de pessoas isoladas e dependentes de meios alternativos.
A situação, provocada pelo aumento significativo do caudal do rio, resulta de chuvas intensas que caem na região e a montante, particularmente na vizinha África do Sul, associadas à libertação de água pela barragem dos Pequenos Libombos.
Afonso José Binhamigo, chefe da localidade de Guiguégué, uma das áreas mais afectadas, explicou a reportagem da AIM que o rio registou nos últimos dias um volume de água acima da sua capacidade normal.
“Desde o fim-de-semana que caem chuvas intensas, não só aqui, mas também a montante. A barragem já não consegue suportar toda a água e foi obrigada a libertar parte do volume, o que fez com que o rio transbordasse e submergisse a ponte de Mazambaneni”, afirmou.
A ponteca de Mazambaneni é um eixo vital de ligação entre comunidades das duas margens do Umbelúzi, nomeadamente para a localidade de Eduardo Mondlane, sendo utilizada diariamente por centenas trabalhadores, estudantes, agricultores e comerciantes.
Com a infra-estrutura submersa, a circulação rodoviária foi totalmente interrompida, obrigando à mobilização urgente de meios de socorro.
No terreno, equipas da Unidade Nacional de Protecção Civil (UNAPROC), apoiadas pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e por operadores civis, estão a assegurar a travessia através de embarcações.
No total, seis barcos estão em operação, dois da UNAPROC, dois da empresa TRASMARITIMA e dois das FADM. As operações decorrem diariamente entre as 06h00 e as 18h00, estando suspensas no período nocturno devido a questões de segurança e visibilidade.
De acordo com Afonso José, mais de dez mil pessoas foram directamente afectadas nas localidades de Guiguégué e Dono Mungam.
“Estamos a falar de um número muito elevado de cidadãos que dependem desta travessia para ir ao trabalho, à escola, aos serviços de saúde e às suas machambas. Há pessoas que vivem de um lado do rio e trabalham em Boane, na Matola ou na cidade de Maputo, e outras que residem aqui mas desenvolvem actividades agrícolas e comerciais na outra margem”, explicou.
Para além da interrupção da travessia, as cheias impactaram severamente na agricultura e no abastecimento de água. Várias machambas ficaram submersas, afectando culturas e equipamentos, incluindo motobombas.
O ponto de captação de água que abastece algumas comunidades também foi inundado, comprometendo o funcionamento das electrobombas.
As autoridades locais referem ainda a existência de residências alagadas, sobretudo nos bairros 1, 2 e 25 de Setembro, na localidade de Guiguégué.
Embora parte da população em zonas de risco tenha sido previamente retirada para áreas mais altas, como a zona recentemente criada no bairro Filipe Magalhães, persistem limitações de espaço para o reassentamento de todas as famílias vulneráveis.
A situação poderá agravar-se nas próximas horas, uma vez que continua a chover no distrito de Boane, uma região que enfrenta sérios problemas de saneamento e de sistemas de escoamento de águas pluviais.
A ausência de sistema de drenagem eficaz contribui para o rápido alagamento de bairros residenciais, aumentando o risco de inundações urbanas.
Problemas semelhantes registam-se no município da Matola, onde vários bairros se encontram submersos. A ligação entre os bairros de Malhampsene e Mulotane está interrompida devido ao aumento do caudal do rio Matola, dificultando a mobilidade e o acesso a serviços básicos, no local, pessoas são transportadas com tractores.
Há igualmente registo de cheias nos bairros de expansão ao longo da Estrada Circular, afectando residências, vias de acesso e pequenas actividades económicas.
As autoridades apelam à população para que evite zonas de risco, cumpra rigorosamente as orientações de segurança e acompanhe as informações oficiais, enquanto prossegue a monitoria dos níveis dos rios e da evolução das chuvas na região sul do País.
A face gravidade da situação na província, o Governador provincial, Manuel Tule, encontra-se no terreno a monitorar a situação.
(AIM)
Paulino Checo/ sg
