Eduardo Mussanhane, Administrador do distrito de Moamba, provincia de Maputo
Moamba, 19 Jan (AIM) – As cheias provocadas pelas chuvas intensas e pelas descargas do rio Incomáti continuam a devastar o distrito da Moamba, na província de Maputo, sul de Moçambique, deixando comunidades isoladas, vias de acesso intransitáveis, pelo menos três mortos e famílias sitiadas que aguardam meios de resgate em zonas de difícil acesso.
As autoridades distritais trabalham em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), num plano operativo que inclui operações de busca com embarcações e a expectativa do envolvimento de meios aéreos para alcançar áreas completamente isoladas.
A informação foi avançada pelo administrador da Moamba, Eduardo Mussanhane, em entrevista concedida hoje (19) à AIM, durante acções de monitoria nas zonas mais críticas.
“Estamos a iniciar o ano de 2026 com esta calamidade, própria das mudanças climáticas que o mundo vive. Para o distrito da Moamba a situação não é nada boa, porque todos os quatro postos administrativos estão envolvidos”, declarou Mussanhane.
Segundo o administrador, as cheias comprometeram seriamente a transitabilidade das vias de acesso, deixando populações cercadas pelas águas, sobretudo no posto administrativo de Sábie.
“Tínhamos populações sitiadas e, felizmente, com o apoio do INGD já conseguimos resgatar pelo menos 20 pessoas”, disse.
O distrito regista três óbitos, todos resultantes de tentativas de travessia de cursos de água. “As águas engoliram uma jovem no primeiro dia, um vizinho que tentou socorrê-la e um outro cidadão na zona de Tsengene, que acabou naufragando devido à força das águas”, explicou.
O agravamento da situação deve-se igualmente às descargas do rio Incomáti a partir da África do Sul, que têm provocado a inundação de extensas áreas agrícolas.
De acordo com a fonte, o posto administrativo de Ressano Garcia encontra-se sem abastecimento de água potável, depois de os sistemas de captação terem ficado submersos.
“Estamos a depender da boa vontade de parceiros e cidadãos que transportam água do rio, fazendo o tratamento natural para evitar doenças de origem hídrica”, afirmou o administrador.
Na vila-sede da Moamba, vários bairros estão completamente alagados, tornando as habitações impróprias para a permanência das famílias.
Para agravar o sofrimento das vítimas, registam-se relatos de saque de bens abandonados, situação que levou a autoridade distrital a lançar um apelo à solidariedade e ao civismo.
“Não é bonito que alguém se sacrifique e outro aproveite para roubar”, lamentou.
Como resposta à crise, foi lançada a campanha de solidariedade “Mão de Vidas como Âncora”, que visa mobilizar apoio da sociedade civil, parceiros e cidadãos de boa vontade.
“Cuidar é mais nobre do que receber e acreditamos que cada gesto vai transformar a vida dos nossos cidadãos”, sublinhou Mussanhane.
Actualmente, o distrito dispõe de cinco centros de acomodação, três em Sábie, um na vila da Moamba e outro em Ressano Garcia, que acolhem entre 200 e 300 pessoas. Apesar de estarem localizados em zonas seguras, os centros enfrentam escassez de mantas, colchões e alimentos.
Ainda esta segunda-feira, o distrito recebeu a visita do vice-presidente do INGD, Belém, gesto interpretado como sinal de reforço do apoio institucional num momento considerado crítico para Moamba.
(AIM)
Paulino Checo/sg
