Maputo, 23 Jan (AIM) – Pelo menos 19 mil pessoas foram resgatadas nos últimos 25 dias em várias regiões do país, após ficarem sitiadas pelas chuvas intensas e inundações que afectaram as províncias meridionais e centrais de Moçambique, anunciou esta quinta-feira o Governo.
Falando à imprensa no distrito de Chongoene, na província meridional de Gaza, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, afirmou que o Executivo, em coordenação com parceiros nacionais e internacionais, bem como com cidadãos particulares, continua mobilizado para prestar assistência humanitária aos cerca de 54 mil deslocados actualmente acolhidos em centros de acomodação.
Impissa, que acumula o cargo de ministro da Administração Estatal e Função Pública, destacou que um dos maiores centros de acolhimento do país está localizado na província de Gaza e alberga cerca de 28 mil pessoas, número que ilustra a gravidade da situação.
“Estamos a falar de 28 mil concidadãos num único centro de habitação. É como se tivéssemos a população de um distrito inteiro, de alta densidade populacional, desalojada”, afirmou, sublinhando que o país enfrenta uma verdadeira catástrofe.
Segundo o governante, o impacto das inundações vai muito além da perda de habitações, afectando também bens essenciais e o funcionamento das instituições públicas, muitas das quais permanecem encerradas devido aos danos provocados pelas águas, particularmente na província de Gaza.
“Esta catástrofe não incide apenas sobre as pessoas, mas também sobre as suas residências, os seus bens e as próprias instituições do Estado, que não conseguem funcionar normalmente”, frisou.
A situação condiciona o normal funcionamento não só da província de Gaza, mas também de outras regiões do país, exigindo esforços acrescidos para garantir que os cerca de 58 mil afectados tenham acesso a centros transitórios e a serviços básicos, como saúde, alimentação e segurança.
Impissa assegurou que o Governo tem acompanhado de perto as condições nos centros de acomodação e partilhado informações com a comunidade nacional e internacional.
“Temos assistido no terreno, com serviços de saúde, alimentação e segurança a funcionarem, para garantir o mínimo de dignidade às populações afectadas”, explicou.
Entretanto, as autoridades sanitárias registaram cerca de 400 casos de diarreia nos centros de acomodação da província de Gaza, um dado que aumenta a preocupação das autoridades quanto ao risco de surtos de doenças endémicas, num contexto de sobrelotação e saneamento precário.
Desde o início da época chuvosa e ciclónica, em Outubro de 2025, as chuvas intensas e inundações já causaram 112 mortes, 99 feridos e afectaram mais de 500 mil pessoas em todo o país, com maior incidência nas províncias de Maputo e Gaza.
(AIM)
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