Marracuene (Moçambique), 30 Jan (AIM) – Mais de 110 mil clientes continuam sem fornecimento de energia eléctrica nas províncias de Maputo e Gaza, na sequência das cheias provocadas pela actual época chuvosa, enquanto a Electricidade de Moçambique (EDM) trabalha no restabelecimento gradual do serviço, condicionado pelo recuo das águas em várias zonas afectadas.
Segundo o director-geral da Direcção de Distribuição da Electricidade de Moçambique (EDM), Luís Amado, que falava esta sexta-feira (30) à imprensa, a situação mais crítica regista-se no distrito de Xai-Xai, na província de Gaza, onde cerca de 88 mil clientes permanecem sem energia, enquanto na cidade de Xai-Xai existem ainda cerca de 13.500 consumidores afectados.
“Neste momento, ficamos com cerca de 110 mil clientes sem energia, sendo a maior parte em Chókwè e Xai-Xai. O restabelecimento depende essencialmente do recuo das águas, porque muitas infra-estruturas estão de pé, apenas submersas”, explicou.
Na província de Maputo, a EDM já conseguiu normalizar o fornecimento em vários distritos. Em Boane, por exemplo, todos os postos de transformação que haviam ficado isolados já se encontram operacionais. Persistem, contudo, cerca de 10 postos de transformação na zona de Moamba, que abastecem operadores agrícolas privados, além de dois ainda isolados por alagamento na chamada “zona verde”.
Em Marracuene, a situação continua delicada na localidade de Macaneta. Dos 21 postos de transformação existentes, sete aguardam ainda energização. “Os outros 14, mesmo com acesso condicionado por via marítima, já foram energizados, e os clientes começam, pouco a pouco, a retomar o consumo de energia.”
Ainda em Marracuene, o responsável acrescentou que um posto de transformação na zona de Cumbene continua isolado, afectando cerca de 85 clientes.
Em Magude e Xinavane, a reposição da rede decorre de forma gradual. “Entre Magude e Xinavane, cerca de metade dos consumidores já voltou a consumir energia.”
Amado referiu que continuam fora de serviço as linhas que alimentam Massingir, Guijá e Mabalane, devido à destruição de vários quilómetros de rede.
“Temos informação de que cerca de sete quilómetros de linha desapareceram, foram arrastados pelas águas, o que faz com que estes distritos continuem sem energia”, precisou.
No total, a EDM estima que cerca de 1.200 quilómetros de linhas de média tensão tenham sido afectados ou submersos, bem como cerca de 900 quilómetros de linhas de baixa tensão, além de 94 postos de transformação.
Apesar da dimensão dos danos, os prejuízos mantêm-se estimados em cerca de 313 milhões de meticais (cerca de 4,9 milhões de dólares). “Temos a sorte de muitas infra-estruturas estarem de pé. Isso vai facilitar a reposição rápida do fornecimento de energia, assim que as condições de acesso melhorarem”, sublinhou.
No âmbito das medidas de resposta social, a EDM substituiu contadores pré-pagos por contadores pós-pagos em centros de acolhimento. “Temos neste momento 59 centros de acolhimento, essencialmente escolas e algumas igrejas, todos com energia 24 horas, para garantir que as pessoas acolhidas tenham serviços básicos assegurados.”
A administradora do distrito de Marracuene, Teresa Mawai, confirmou que, neste momento, todo o distrito já se encontra iluminado, após cortes preventivos efectuados durante o pico das inundações. “Foram apenas um ou dois dias, em bairros como Faftine e Massinga, por razões de segurança. Assim que a água baixou, a situação foi normalizada.”
A dirigente manifestou igualmente preocupação com as vias de acesso e as fontes de água, muitas das quais ficaram submersas. “Temos cerca de 21 fontes de água submersas. Será necessário avaliar os danos e testar a qualidade da água antes de a disponibilizar à população”, disse.
Segundo a administradora de Marracuene, cerca de 3.541 pessoas encontram-se actualmente acolhidas em nove centros no distrito, enquanto a vida começa a retomar alguma normalidade nas zonas onde o nível das águas já baixou. “A nossa prioridade agora é apoiar as famílias que perderam tudo, garantindo alimentos, saúde, higiene e condições para a recuperação das suas vidas”, concluiu.
Nos centros de acolhimento, a medida de substituição dos contadores foi bem acolhida pelas instituições. O director da Escola Secundária Gwaza Muthini, Inocêncio Homo, afirmou que a iniciativa vai aliviar significativamente os encargos da escola.
“Com o acolhimento das famílias, passámos de um consumo médio de 80 para cerca de 120 quilowatts por dia. Esta modalidade pós-paga vai minimizar os constrangimentos financeiros da instituição”.
(AIM)
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