Primeira-Ministra, Benvinda Levi, (segunda da direita para esquerda) fala num painel subordinado ao tema “Os Governos e o Futuro do Investimento: a Perspectiva Africana”, realizado no âmbito da Cimeira Global de Governos, em Dubai
Dubai, 04 Fev (AIM) – O Governo moçambicano destacou hoje, em Dubai, o gás natural como um activo estratégico que posiciona Moçambique no mapa da energia sustentável, sublinhando a sua qualidade, o potencial de atracção de investimento global e o seu papel como motor de crescimento económico.
A posição foi expressa esta quarta-feira (04), pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, ao intervir num painel subordinado ao tema “Os Governos e o Futuro do Investimento: a Perspectiva Africana”, realizado no âmbito da Cimeira Global de Governos, no qual apresentou os principais sectores considerados prioritários para o desenvolvimento económico do país.
Levi sublinhou que o sector de hidrocarbonetos representa uma oportunidade estratégica para investidores internacionais e um dos pilares do crescimento económico nacional.
Referindo-se ao sector, reconheceu que o país enfrentou desafios nos últimos anos, associados à instabilidade no norte. “Enfrentámos vários desafios ligados ao terrorismo, que condicionaram a exploração do gás”, disse, acrescentando que a situação se encontra actualmente controlada.
“Hoje, estes problemas estão minimizados e temos investimentos de empresas globais, como a ExxonMobil, a TotalEnergies e a ENI”, afirmou, destacando a qualidade do gás natural moçambicano. “É um gás limpo, de muita qualidade, o que o torna atractivo para todos os mercados.”
A Primeira-Ministra destacou igualmente o potencial mineiro do país, referindo a recente inauguração de uma grande unidade industrial. “Foi inaugurada uma das maiores fábricas de grafite do mundo”, disse, sublinhando a importância estratégica deste mineral.
No domínio da governação económica, apontou como factor positivo a saída de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI). “Sabemos que estar nessa lista limita muito o investimento”, afirmou, acrescentando que está em curso uma estratégia destinada a evitar o regresso a esse estatuto.
As infra-estruturas e a logística foram igualmente destacadas como pilares do desenvolvimento económico. “Moçambique afirma-se como um verdadeiro polo logístico”, disse, referindo que países do interior utilizam os portos, estradas e linhas férreas nacionais para o comércio externo.
Nesse contexto, destacou os principais corredores de desenvolvimento. “O corredor de Maputo, no sul, o da Beira, no centro, e o de Nacala, no norte, são estratégicos para a região”, afirmou.
O turismo foi apontado como um dos sectores prioritários para a diversificação da economia. “A nossa costa tem mais de dois mil quilómetros e o turismo foi declarado uma área essencial”, disse, acrescentando que Inhambane foi definida como principal polo turístico do país. “É comparável a destinos como Zanzibar, Seicheles ou Maurícias.”
Por fim, reiterou a importância da agricultura para o desenvolvimento inclusivo. “A maior parte da população depende deste sector, que constitui a sua principal fonte de rendimento e apresenta um enorme potencial”, afirmou, defendendo o reforço do investimento e das parcerias público-privadas.
“Estes sectores podem impulsionar o desenvolvimento do país, com investimento interno e externo, porque nós temos terras raras, terras aráveis, água e outros benefícios”, afirmou, sublinhando que Moçambique reúne condições para captar investimento em áreas estratégicas”, concluiu.
Importa referir que a Primeira-Ministra manteve, na manhã de hoje, um encontro com o Ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Sheikh Shakhboot bin Nahyan Al Nahyan.
Levi partilhou o painel com a Presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, e com o Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, que igualmente estiveram entre os líderes envolvidos nas discussões sobre perspectivas africanas de investimento.
(AIM)
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