Presidente da Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo (CTDNI), Edson Macuácua
Maputo, 09 Fev (AIM) – A Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo (DNI) apresentou um balanço positivo do processo desenvolvido ao longo de 2025, destacando o elevado grau de participação dos cidadãos, apropriação do diálogo pela sociedade e seu contributo para o reforço da coesão nacional, da reconciliação e da paz no país.
Falando esta segunda-feira (09), em Maputo, em conferência de imprensa, o Presidente da Comissão Técnica, Edson Macuácua, afirmou que, apesar do cepticismo inicial e de um contexto de acentuada polarização social, o diálogo “afirmou-se como uma plataforma cívica de exercício da cidadania, da participação, da democracia e da soberania”.
“Registou-se um elevado grau de apropriação do Diálogo Nacional Inclusivo por parte da sociedade civil, o que se traduziu numa multiplicação de iniciativas espontâneas e estruturadas, promovidas por pessoas singulares e colectivas, que permitiram a participação activa dos cidadãos”, disse.
Segundo Macuacua, ao longo de 2025 realizaram-se diversos momentos do processo, incluindo auscultações em todas as províncias do país e na diáspora, mesas-redondas com personalidades de reconhecida autoridade e mérito, bem como iniciativas organizadas pela própria sociedade civil, envolvendo grupos sociais específicos, tais como mulheres, jovens e pessoas portadoras de deficiência.
“Estamos satisfeitos com o nível de participação dos cidadãos e, sobretudo, com a apropriação do Diálogo Nacional Inclusivo enquanto espaço de reforço da coesão nacional, da reconciliação, da paz e de reencontro dos moçambicanos”, sublinhou.
O responsável destacou igualmente a participação activa dos partidos políticos no processo, referindo que todos apresentaram propostas concretas.
“Todos os partidos políticos participaram no diálogo. Tivemos contribuições apresentadas de forma colectiva por um grupo de partidos, bem como propostas submetidas de forma individual, para além da presença permanente de actores políticos, representantes da sociedade civil, confissões religiosas, académicos e do sector privado nas mesas-redondas”, afirmou.
Para o presente ano, a Comissão Técnica definiu como principal prioridade a denominada “ruralização” do Diálogo Nacional Inclusivo, com a deslocação do processo para os postos administrativos e localidades, sobretudo nas zonas rurais, durante os meses de Março, Abril e Maio.
“Pretendemos garantir uma maior inclusão territorial, levando o diálogo aos postos administrativos e às localidades, de modo a que as populações rurais disponham igualmente de espaço e oportunidade para participar e fazer reflectir a sua visão sobre o futuro do país”, explicou.
Paralelamente, estão previstas mesas-redondas em todas as capitais provinciais, envolvendo académicos, pensadores e actores locais, com o objectivo de alargar o debate e evitar que o processo fique circunscrito a determinados círculos de elites.
“Pretendemos obter uma imagem densa e fiel do Moçambique real, com base nas contribuições recolhidas em todo o território nacional”, referiu.
De acordo com Macuácua, o primeiro semestre de 2026 será inteiramente dedicado às auscultações, sendo que apenas no segundo semestre a Comissão Técnica procederá à sistematização das contribuições, à estruturação de propostas concretas e à sua submissão a um novo exercício de audição pública.
“Ainda queremos proporcionar mais oportunidades aos moçambicanos para enriquecerem o processo. Só após a conclusão deste exercício é que a Comissão Técnica apresentará propostas, com a certeza de que o diálogo foi o mais participativo e abrangente possível”, concluiu.
(AIM)
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