Nampula (Moçambique), 22 Fev (AIM) – O surto de cólera que afecta a província de Nampula, norte de Moçambique já atingiu oito dos seus 23 distritos com o registo, nas últimas 48 horas, de 29 novos casos, 15 dos quais só na cidade portuária de Nacala.
O boletim diário do sector da Saúde, deste sábado (21), que a AIM teve acesso, informa que, apesar deste alastramento, mantém-se em 32 o número de mortes, oito das quais ocorridas em unidades sanitárias e as restantes 24 na comunidade.
Os dados em presença, confirmam que, até sábado, Nampula notificou 2.568 casos de cólera, com 2.484 altas, enquanto 52 doentes continuam internados.
O distrito de Nacala é o que mais casos apresenta deste a eclosão do surto em Setembro do ano passado, com um cumulativo de 1.518 doentes e 12 óbitos.
Outros distritos onde a Saúde decretou o surto são: Monapo, Memba, Eráti, Nacala-a-Velha, Mogovolas, Ilha de Moçambique e Mogincual.
As estatísticas dão conta que a doença atingiu mais mulheres (51 por cento) que homens (49).
A faixa etária dos maiores de 15 anos é a mais afectada, com 46 por cento dos casos reportados, seguida de crianças dos zero aos quatro anos, com 28 por cento, enquanto as idades entre os cinco e os 14 anos representam 26 por cento.
Face a esta situação alarmante, ao longo da semana, o governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, decidiu criar um Comité Multissectorial de Combate à Cólera, numa altura em que o sector da Saúde relata a persistência de campanhas de desinformação sobre a origem da doença.
A ilustrar estes factos, recentemente, uma unidade sanitária no distrito de Monapo foi encerrada temporariamente e os seus profissionais molestados, o que exigiu a intervenção das autoridades policiais para a reposição da ordem.
A directora provincial da Saúde, de Nampula, a médica Selma Xavier, relata que as medidas de prevenção para a contenção da cólera estão activas e incluem, entre outros, mensagens sobre cuidados a ter no consumo de água e alimentos. Em resumo, medidas acentuadas sobre higiene individual e colectiva.
As autoridades da Saúde entendem que constituem factores de risco desta doença a fraca cobertura de abastecimento de água, deficiente saneamento do meio, incumprimento de medidas básicas de higiene individual e colectiva aliada à desinformação.
(AIM)
Rosa Inguane (RI)/dt
