Vacina contra a colera
Nampula (Moçambique), 11 Mar (AIM) – Uma onda de desinformação sobre a origem da cólera levou à destruição de habitações e à intervenção da Polícia da República de Moçambique (PRM) no posto administrativo de Matibane, distrito costeiro de Mossuril, província de Nampula, onde, segundo as autoridades sanitárias, não há registo de casos da doença.
O distrito costeiro de Mossuril, situado no litoral nordeste da província de Nampula, não tem qualquer registo de casos de cólera, segundo indica o último boletim das autoridades sanitárias divulgado nesta quarta-feira.
Apesar disso, uma onda de desinformação sobre a origem da doença, que aponta alegadamente agentes do governo como propagadores, abalou o posto administrativo de Matibane, uma importante zona turística e pesqueira, depois de indivíduos mal-intencionados terem instigado populares a destruir casas e a perseguir autoridades comunitárias.
Informações prestadas esta terça-feira pela Polícia da República de Moçambique (PRM) indicam que pelo menos dois indivíduos do grupo envolvido nestes actos de vandalismo e desinformação foram detidos, enquanto prosseguem diligências para identificar outros suspeitos.
Na sequência dos tumultos foram destruídas 13 habitações pertencentes a líderes comunitários, alguns dos quais foram obrigados a fugir.
Entretanto, no boletim divulgado, o sector da Saúde refere que não há registo de óbitos por cólera no período em referência. Contudo, foram diagnosticados mais 34 casos da doença, estando actualmente 42 doentes internados, enquanto 21 pessoas receberam alta hospitalar.
O distrito de Monapo lidera o registo de novos casos, com 17 dos 34 reportados.
O documento indica ainda que o distrito de Moma deixou de integrar o grupo de áreas onde o surto se mantém activo, à semelhança de Memba, Eráti, Nacala, Nacala-a-Velha, Mogincual, Ilha de Moçambique e Mogovolas.
Desde a eclosão do surto de cólera, em Setembro do ano passado, na província de Nampula, foram registados cumulativamente 3.240 casos, dos quais 3.160 tiveram alta hospitalar. O número de óbitos é de 38, sendo nove nas unidades sanitárias e 29 na comunidade, com uma taxa de letalidade fixada em 1,2 por cento.
Os maiores de 15 anos continuam a ser o grupo mais afectado, representando 47 por cento dos casos, seguidos das crianças dos cinco aos 14 anos, com 28 por cento. A menor incidência regista-se entre os menores de quatro anos, com 25 por cento.
As autoridades sanitárias reiteram o apelo à observância de medidas de higiene individual e colectiva, cuidados com a água e os alimentos e recomendam que, em caso de suspeita da doença, os cidadãos procurem de imediato assistência médica nas unidades sanitárias.
Por outro lado, as seis albufeiras das barragens da região norte mantêm-se com cerca de 100 por cento da sua capacidade de armazenamento.
Segundo a Administração Regional de Águas do Norte (ARA-NORTE), os níveis estão a baixar nas barragens de Mitucue, na província do Niassa, e Chipembe, em Cabo Delgado.
Na barragem de Nampula observa-se uma tendência de subida, enquanto as de Nacala, Mugica (Nampula) e Locumue (Niassa) apresentam níveis estacionários.
Nas últimas 24 horas observou-se ainda subida dos níveis hidrométricos em quase todas as bacias hidrográficas da região, embora com tendência de descida em alguns pontos dos rios Messalo, Ligonha, Meluli, Montepuez e Rovuma.
A ARA-NORTE volta a aconselhar a população a observar medidas de precaução, como evitar atravessar cursos de água, circular em zonas de risco de cheias e erosão, e acompanhar as informações sobre o estado do tempo divulgadas pelas autoridades competentes.
(AIM)
RI/sg
