Maputo, 08 Mar (AIM) – Os surtos de cólera que afectam as províncias de Nampula, Cabo Delgado e Tete, regiões norte e centro, já resultaram num cumulativo total de 6.694 casos e 76 mortes, de acordo com dados divulgados por responsáveis do sector da saúde.
Apesar de algumas indicações de controlo em determinados distritos, as autoridades alertam que a desinformação e a demora na procura de assistência médica continuam a agravar o impacto da doença.
Na província de Nampula, zona norte, o surto activo desde Janeiro já provocou 3.138 casos cumulativos e 36 óbitos, afectando oito dos 23 distritos da província. Entre os distritos atingidos estão Memba, Eráti, Nacala Porto, Monapo, Ilha de Moçambique, Nacala Velha, Mogovolas e a cidade de Nampula.
Segundo o chefe do departamento provincial de saúde pública, Samuel Carlos, Nacala Porto concentra a maioria dos casos, com 1.677 infecções registadas desde o início do surto.
As autoridades sanitárias indicam que, nos últimos dias, a média de novos casos tem sido relativamente reduzida, no entanto, o número de óbitos continua a preocupar, sobretudo porque a maioria ocorre fora das unidades sanitárias.
Dos 36 óbitos registados em Nampula, apenas oito ocorreram em hospitais, enquanto 28 aconteceram nas comunidades, frequentemente associados à demora em procurar tratamento ou ao receio alimentado por informações falsas sobre a doença.
Já na província de Cabo Delgado, zona norte, o surto iniciado em Novembro de 2025 contabiliza 1.006 casos cumulativos e oito mortes. Os distritos mais afectados foram Metuge, Pemba, Montepuez e Mecúfi.
O director provincial de saúde, Édson Fernando, explicou que Metuge registou o maior número de casos, com 370 infecções, seguido de Pemba com 288, Mecúfi com 222 e Montepuez com 126.
Apesar destes números, as autoridades referem que existem sinais de melhoria. Em Metuge, por exemplo, já passaram mais de três semanas sem registo de novos casos.
Dos oito óbitos confirmados na província, dois ocorreram em unidades sanitárias e seis nas comunidades, realidade que evidencia a necessidade de reforçar a sensibilização das populações sobre a importância do tratamento precoce.
As autoridades também enfrentaram episódios de resistência comunitária durante as acções de resposta ao surto. Em alguns locais, equipas de saúde e activistas tiveram dificuldades em aceder às comunidades para realizar desinfecção de residências, distribuição de água tratada e sensibilização da população.
A situação chegou a provocar a vandalização de infra-estruturas sanitárias, incluindo um centro de tratamento de cólera no distrito de Montepuez, que permaneceu encerrado durante uma semana.
Entretanto, uma campanha de vacinação preventiva contra a cólera permitiu imunizar 436.700 pessoas em Pemba e Metuge, contribuindo para a redução significativa do número de casos nas últimas semanas.
Na província de Tete, zona centro, o surto declarado em Setembro de 2025 já provocou 2.550 casos confirmados e 32 mortes, afectando seis distritos.
De acordo com o médico-chefe provincial, Hélder Dombole, o primeiro foco surgiu na cidade de Tete, alastrando posteriormente para Moatize, Changara, Cahora-Bassa, Tsangano e Marara.
O distrito de Changara lidera o número de casos, com 1.031 infecções, seguido da cidade de Tete com 881 e de Moatize com 539. Entre os doentes registados, quase mil necessitaram de internamento hospitalar.
Tal como nas outras províncias, a maior parte das mortes ocorreu fora das unidades sanitárias. Dos 32 óbitos registados em Tete, sete ocorreram em hospitais e 25 nas comunidades, muitas vezes em zonas remotas de difícil acesso.
Apesar do cenário preocupante, as autoridades referem que o número diário de casos tem vindo a diminuir. Se anteriormente eram registados entre 90 e 100 casos por dia, actualmente a média é inferior a 20.
(AIM)
NL/PC
