Porta-Voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na Cidade de Maputo, Hilário Lole. Foto arquivo de Carlos Júnior
Maputo, 10 Mar (AIM) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) nega relatos de discriminação contra cidadãos nigerianos durante uma operação policial destinada a desmantelar uma rede de comercialização de peças e acessórios de viaturas de proveniência ilícita.
Segundo o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, entrevistado pela AIM, 42 cidadãos nigerianos foram detidos durante a operação por não possuírem documentos legais que lhes permitam permanecer em Moçambique, devendo por isso regularizar a sua situação migratória.
“Não é verdade que o SERNIC tenha detido apenas cidadãos nigerianos durante a operação. Cidadãos moçambicanos também foram detidos. Os cidadãos nigerianos em causa não possuíam documentos legais que lhes permitissem permanecer no país”, disse.
Lole explicou que os cidadãos moçambicanos foram detidos por alegado envolvimento na venda de peças de viaturas roubadas, enquanto os nigerianos foram detidos por não apresentarem justificação legal para permanecer no território nacional.
A posição do SERNIC surge após o governo nigeriano ter apelado à libertação imediata dos seus cidadãos, alegando que “comerciantes de outras nacionalidades não foram afectados durante a operação policial”.
Por seu turno, a Nigerians in Diaspora Commission (NiDCOM), uma organização nigeriana que acompanha a situação dos seus cidadãos no exterior, classificou o incidente como “desagradável, perturbador e inaceitável”, advertindo que as detenções selectivas podem sugerir uma possível acção xenófoba contra nigerianos residentes em Moçambique.
Contudo, Lole afirmou que a situação migratória dos cidadãos nigerianos detidos está a ser avaliada pelo Serviço Nacional de Migração (SENAMI), sendo que cada caso será tratado individualmente.
“Após a avaliação do SENAMI, os indivíduos que se encontram ilegalmente no país poderão ser deportados ou multados, dependendo de cada caso”, explicou.
A operação conjunta do SERNIC e da Polícia da República de Moçambique (PRM) teve lugar no sábado, 28 de Fevereiro último, e visou locais conhecidos pela comercialização de peças e acessórios de viaturas de proveniência duvidosa.
A acção decorreu no mercado Estrela Vermelha e na Praça de Touros, na cidade de Maputo, bem como numa oficina conhecida por Majugar, na cidade da Matola, e culminou com a apreensão de mais de 70 toneladas de peças e acessórios para viaturas.
(AIM)
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