Maputo, 14 Abr (AIM) – O governo moçambicano admitiu hoje que o país enfrenta uma escassez de combustível, situação associada a factores externos, com destaque para a instabilidade no Médio Oriente.
No centro da cidade de Maputo, vários postos de abastecimento registam ruptura de stock, enquanto longas filas de viaturas se formam nos poucos que ainda dispõem de gasolina ou diesel.
A situação tem gerado tensão entre os automobilistas, com registo de incidentes, amplamente divulgados nas redes sociais, envolvendo tentativas de furar filas.
Falando após a 10ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, o porta-voz do encontro, Salim Valá, reconheceu o cenário de crise, sublinhando tratar-se de um fenómeno global.
“Estamos numa situação de crise global. A economia funciona também com base em percepções e expectativas, e há, nos últimos dias, uma corrida acentuada ao combustível”, afirmou.
Valá, que igualmente exerce as funções de ministro da Planificação e Desenvolvimento, assegurou que o governo acompanha a situação e está a envidar esforços para mitigar os seus efeitos.
“O governo está a acompanhar e, em momento oportuno, prestará informação mais detalhada”, disse.
O governante reconheceu a pressão sobre o fornecimento, mas evitou avançar prazos para a normalização da situação, apontando factores externos fora do controlo do país.
Entre estes, destacou o impacto da guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, bem como o eventual encerramento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.
“Não podemos afirmar de forma taxativa quando a situação estará resolvida, devido às dinâmicas externas e às negociações no mercado internacional”, explicou.
Apesar das dificuldades, Valá garantiu que o país ainda dispõe de reservas de combustível, embora sem especificar a sua duração.
“Há ainda disponibilidade de stock, mas trata-se de um assunto acompanhado diariamente”, referiu.
Acrescentou que alguns países da África Austral já procederam ao aumento dos preços dos combustíveis, enquanto Moçambique mantém, para já, os níveis actuais, admitindo, no entanto, a possibilidade de ajustamentos.
(AIM)
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